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Dono de ferro-velho dep�e e fica preso

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CARLA SERQUEIRA Repórter O dono de duas lojas de peças automotivas Marciel Gomes da Silva foi preso ontem após se apresentar à polícia. Ele comprou, por R$ 500, o veículo Celta preto, placa MVH 7633/AL, do empreiteiro José Maria dos Santos, morto enforcado com um fio telefônico no dia 8 de fevereiro, após ser dopado pela própria mulher, Maria José da Silva, a Nena, que colocou o medicamento Rivotril no suco do marido para facilitar a ação dos executores do crime, Marcelo Santos e Luiz de Aquino. Três policiais militares são suspeitos de articular o assassinato: os soldados Jairo Dantas, Edilson Correia e Antônio Rita, presos à disposição da Justiça. Em seu depoimento, na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, Marciel afirmou ter comprado o carro dos PMs Jairo Dantas e Edilson Correia e do técnico em refrigeração automotiva Luiz de Aquino, no mesmo dia em que o dono do veículo fora assassinado. ?Comprei o carro, tirei os faróis, o capô e o pára-choque. O resto vendi pelo mesmo preço (R$ 500) ao Zeca, que também trabalha com peças?, disse Marciel, que vai responder por crime de receptação e, se for condenado, pode cumprir de um a quatro anos de detenção. ?Jairo me falou apenas que o carro estava com prestações do financiamento bancário vencidas e que o banco poderia tomar o veículo a qualquer momento. Eu não sabia que o dono estava morto?, alegou Marciel, acrescentando ter conhecido os PMs há pouco tempo. ?Na minha loja aparece todo tipo de gente, é gay, é ladrão, é homem, é mulher, e eu estou lá para atender todo mundo?. O rapaz chamado Zeca, citado por Marciel - ninguém, nem ele e nem a polícia soube dizer como, tampouco por que - foi assassinado poucos dias após ter comprado o Celta do empreiteiro, na Chã da Jaqueira, onde residia. Após tomar o depoimento de Marciel Gomes, o delegado Carlos Alberto Reis e técnicos do Instituto de Criminalística foram a uma de suas lojas, na Rua Cabo Reis, no Vergel - a outra loja de Marciel fica no Dique Estrada. ?Constatamos que as peças do Celta estavam à venda na loja, que deveria comercializar apenas peças novas?, disse o delegado, que ainda procura José Carlos de Almeida, acusado de ter contratado os PMs para articular o crime. Suspeita-se que ele seria amante da mulher da vítima. Marciel é a oitava pessoa a ser presa, depois dos três PMs, da mulher do empreiteiro, dos executores Luiz de Aquino e Marcelo Santos, e do negociador de cheques roubados Alexandre Silva. ### Assassinato virou uma teia de aranha Quanto mais a polícia investiga a morte do empreiteiro José Maria, mais aparecem novas suspeitas de crimes. Ao longo das apurações, apareceu até a necessidade de realizar um exame de conjunção carnal no corpo de uma criança. Carlos Alberto Reis, delegado que preside o inquérito, não quer revelar detalhes antes que saia o resultado. A polícia também está investigando se o carro do PM Jairo Dantas é roubado e está com placa clonada. O militar, de acordo com o inquérito, alugou, por R$ 2 mil, o seu veículo, um Corsa verde, para a quadrilha usar no dia do assassinato de José Maria. A polícia não forneceu a placa. ?Vamos fazer primeiro um levantamento. É preciso conferir o número do chassi, antes de afirmar qualquer coisa?, argumenta o delegado. Outro tipo de crime constatado pela polícia durante as diligências é o comércio de cheques roubados. Segundo o delegado Reis, o acusado de ser um dos executores da morte do empreiteiro, Luiz de Aquino, já negociou mais de 50 cheques. Alguns, inclusive, da vítima, comprados por seu comparsa Alexandre Silva, a sétima pessoa a ser presa envolvida no caso. A idéia de matar o empreiteiro teria sido do fotógrafo José Carlos de Almeida, que já tem prisão preventida decretada, mas continua foragido. Segundo a mulher da vítima, Maria José, seu marido teria ficado com ciúmes de José Carlos e por isso foi morto. Seu corpo, enterrado como indigente e exumado na última terça-feira, foi jogado numa mata na Forene e encontrado por um caçador duas semanas depois. O crime renderia aos envolvidos R$ 45 mil, sendo pagos R$ 35 mil na hora e mais R$ 10 mil depois. O dinheiro não foi encontrado e a polícia suspeita que ele nunca existiu. |CS

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