Polícia
Crimes cru�is e banais viram rotina
| MARCOS RODRIGUES Repórter O rastro de sangue deixado por mortes violentas lota o relatório do Instituto Médico Legal (IML) de Maceió. Alguns crimes chamam atenção pelos requintes de crueldade e, também, pelo nível de banalidade. Na periferia se morre até por um par de sandálias ou por causa da opção sexual. Mas o principal motivo são as disputas por espaço, cobrança de dívidas e a queima de arquivo. O silêncio é o melhor aliado da população que não tem outra saída senão morar nessas localidades. Na quinta-feira (15), no bairro do Jacintinho, próximo ao 9º Distrito Policial, o jovem Flávio dos Santos Vilela, 28, foi morto a pedradas e com golpes de faca no peito e na região do pescoço. ### Maioria dos jovens vive na ociosidade O perfil dos jovens que têm sido mortos nas favelas da capital é quase sempre o mesmo. Desempregado, com pouca formação intelectual e filhos de trabalhadores honestos sem passagem pela polícia. Em geral, abandonam a escola antes do término do ensino fundamental e passam a viver sobre as regras das galeras ou agem por conta própria. No bairro da Levada, ao lado do Mercado da Produção, encontramos a vendedora de alimentos Elisa Correia, que ainda chora a morte de um dos 12 filhos, ocorrida no dia 10 de março. ### Comunidades buscam saídas para violência A realidade é de caos, mas os desafios de transformá-la ainda encontram espaço na luta diária das lideranças comunitárias. No Alto da Alegria, a comunidade busca alternativas para evitar que as crianças sejam seduzidas pela droga. O esporte e a educação são o caminho apontado. O mestre de capoeira e metalúrgico Cícero da Silva, 34, sabe disso. Com 15 anos de experiência, ele está formando um grupo com crianças do bairro. ///