Polícia
Fugas nos pres�dios dependem da quantia paga
Ródio Nogueira No último dia 31, a guarda interna conseguiu abortar um plano que resultaria na fuga de pelo menos 30 detentos do Presídio Baldomero Cavalcanti. Mas o plano só fracassou porque o dinheiro prometido não foi adiantado. Com mais essa denúncia, o presidiário Henrique Raniery ver aumentar os riscos de ser assassinado. Nas revelações que faz sobre a realidade do sistema prisional alagoano, que para ele é igual ao de todo País, o presidiário faz uma ressalva. ?Há agentes carcerários honestos, que cumprem a lei e, no caso do plano de fuga frustrado, podem ter descoberto a armação. Quero deixar claro que o doutor Tutmés Airan, ex-secretário de Justiça e Cidadania, tentou melhorar o sistema, mas foi infeliz em tocar o seu projeto. O que está chegando não vai encontrar muita coisa boa?-, frisa Henrique Raniery. Outro presidiário, Daniel Gonçalves da Silva, 26, natural de Sergipe, condenado a 15 anos e 6 meses por homicídio no município da Porto Real do Colégio, disse não ter motivos para usar nome fictício e nem medo para denunciar as mazelas do sistema prisional. Segundo ele, alguns agentes penitenciários do Instituto Penal São Leonardo praticam torturas. ?Tenho a consciência de que não estou falando mentira. Na gestão do capitão Marcel Fortes (ex-diretor do Instituto), havia muita corrupção. Fugir daquela cadeia é a coisa mais fácil quando se tem dinheiro?- denuncia Daniel Gonçalves. Respeito Ele garante que agentes penitenciários não respeitam os detentos. ?Detento é sempre tido como um grande marginal, um inimigo da sociedade? ? denuncia Gonçalves, que aproveita para reclamar da estrutura física do São Leonardo. ?Está um bagaço. Fezes correm a céu aberto. Falta tudo e o preso naturalmente cobra seus direitos? - explica Daniel. Ainda se referindo à questão de fugas, ele disse que toda ela tem o seu preço. ?O ser humanos vale quanto pesa. Se agradar o corrupto ele está na ruas em questão de minutos. Mas, se não tiver dinheiro... Já vi colegas serem assassinados em brigas e motins porque o sistema não oferece condição de sobrevivência para todos. O governo precisa encontrar meios de humanizar os presídios e evitar mais derramamento de sangue ?, alerta Daniel.