Polícia
Pol�cia utiliza armas de forma incorreta
| Davi Soares Repórter Um avanço na tecnologia que já evitou a morte de milhares de manifestantes e criminosos em ações policiais também vem causando algumas situações de transtorno devido à aplicação desnecessária ou incorreta das técnicas. O armamento de baixa letalidade, que já foi chamado de não letal, foi utilizado no início deste mês contra um jogador de futebol e contra detentos do sistema prisional na forma de spray de pimenta, que também caiu no gosto de muitas mulheres brasileiras. ### Imperícia pode levar à morte As tecnologias existentes foram desenvolvidas por polícias de países ricos para diminuir os riscos de morte nas ações policiais. Elas possuem duas categorias: armas físicas e armas químicas. As armas físicas de baixa letalidade são os elastômetros, conhecidos como balas de borracha; armas de choque elétrico; canhões de água, granadas atordoantes e redes de entrelaçamento. A partir das tecnologias que utilizam agentes químicos como armas surgiram os sprays e granadas de pimenta ou lacrimogêneos ou que produzem apenas odores desagradáveis e espumas aderentes para identificar os criminosos. Os policiais treinados para conter tumultos em torcidas, manifestações, e agir contra seqüestradores ou invasores de propriedades têm a observação como primeira atitude. Por meio dela são escolhidas quais as armas de baixa letalidade devem ser utilizadas e decidido qual o momento mais adequado para a ação. Anteriormente denominadas de forma equivocada como ?não letais?, essas armas uma vez utilizadas de maneira incorreta podem levar à morte as pessoas atingidas. ?Se uma pessoa for atingida nos olhos, ouvido ou em outras regiões do crânio por uma bala de borracha atirada de uma distância inferior à permitida, ela pode morrer da mesma forma que se fosse atingida por um tiro?, alertou o major Sampaio. Com custo alto e prazos de validade em um patamar médio de três anos, essas armas proporcionam uma ótima relação custo-benefício. ?Somente pela quantidade de vidas poupadas e pelo aumento do número de ações bem sucedidas, as armas de baixa letalidade já demonstraram que vieram para ajudar a polícia a garantir os direitos humanos?, avaliou o major Sarmento. A Organização das Nações Unidas (ONU) adotou o uso dessas armas como solução para limitar cada vez mais a aplicação de meios capazes de causar morte ou ferimentos às pessoas, no 8º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes, em 1990. |DS Leia mais nas páginas D5 e D6 ### Balas de borracha podem evitar mortes em conflitos O major Marcos Sampaio, subcomandante do Bope, avalia o uso de armas de baixa letalidade como um avanço na ação policial e no combate ao crime. Ele cita o massacre da Casa de Detenção do complexo do Carandiru, em 1992, como um exemplo de como eram as ações policiais sem o uso dessas novas tecnologias. O saldo da invasão do Pavilhão 9, do Carandiru foi de 515 tiros disparados principalmente na cabeça e no tórax. 111 presos foram mortos, 103 deles, vítimas de armas de fogo. ### Defesa pode virar agressão a inocentes A eficiência dos agentes químicos presentes nas armas de baixa letalidade na incapacitação das pessoas atingidas tornou popular o uso de sprays de pimenta e lacrimogêneo entre mulheres de países desenvolvidos. O fato se tornou tão comum que as bolsas femininas fabricadas na Europa já trazem, entre os bolsos para guardar artigos inofensivos como batons e escovas de cabelo, um espaço reservado para o pequeno tubo do artigo de defesa pessoal. ///