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Sejuc n�o tem arquivo sobre fuga e captura de presos

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RÓDIO NOGUEIRA Estatísticas da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) revelam que nos últimos dois anos ocorreram 108 fugas no Presídio Baldomero Cavalcanti e no São Leonardo. E como não há procedimento de apuração documental nas prisões, a Secretaria fica impossibilitada de realizar um estudo analítico dos casos. O novo secretário de Justiça e Cidadania, coronel reformado da Polícia Militar de Alagoas, João Evaristo, afirma que tem projetos para melhorar o sistema prisional alagoano. Ao assumir, ele determinou que seja feito um levantamento geral nos presídios para que os problemas sejam detectados. Evaristo pretende encontrar soluções dentro da realidade do Estado. Por falta de arquivos a Sejuc não tem como fornecer o número de homicídios registrados e nem o número de detentos recapturados. O secretário aponta as facilidades, estrutura física inadequada, pessoal despreparado, ociosidade da população carcerária e a não realização das revistas íntimas como causa das freqüentes fugas naquelas prisões. Para João Evaristo são fatores que têm tudo a ver com a crise generalizada no Baldomero Cavalcanti e São Leonardo. O propósito do novo secretário é executar um projeto de reengenharia das instalações físicas do São Leonardo e Baldomero Cavalcanti. Inicialmente serão executados reparos emergenciais em locais de evasão. O reestudo do monitoramento eletrônico, objetivando a otimização no uso de câmeras e alarmes, adotar o sistema de cercas perimetrais, de forma a impedir intrusão e evasão são metas anunciadas por João Evaristo. Ele pretende ainda formular convênios com a iniciativa privada e segmentos governamentais, objetivando a ocupação da mão-de-obra disponível no sistema carcerário. ?Além de formar mão-de-obra especializada, propicia-se a redução de penas?, diz o secretário de Justiça, revelando que pretende mudar a imagem dos dois presídios. Convênios Também faz parte do programa de mudança formular convênios com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), ofertando serviços para estagiários dos cursos de Direito, Odontologia, Serviço Social, Medicina, Pedagogia e Agronomia, estes últimos com atividades na área de horticultura. Os convênios, afirma o secretário, serão da maior importância para os detentos. ?A sociedade sabe que muitos detentos querem o direito de trabalhar e ser reintegrados à sociedade. No entanto, se não existem mecanismos, a população carcerária fica à mercê da sorte?, salienta João Evaristo. Ele revela que haverá um acompanhamento sistemático do cumprimento das penas, permitindo progressão de regime e livramento condicional. O secretário assegura que todos os direitos dos reeducandos serão respeitados e acompanhados por pessoas qualificadas e preparadas para o assunto. ?Tudo será feito para melhorar o sistema prisional alagoano?, garantiu João Evaristo. Sobreviver A Secretaria de Justiça e Cidadania também vai investir na reativação do parque industrial que em épocas passadas formou dezenas de detentos. Estes, ao cumprirem suas condenações, ganharam liberdade e fora da prisão se reintegraram à sociedade e conquistaram empregos e cidadania. É esse o pensamento dos reeducandos que acreditam não ser mais necessário matar para sobreviver nas prisões. Faz parte também do projeto a reativação do setor de esportes. O velho campo de futebol deverá ser recuperado e as tardes de domingo estarão liberadas para jogos entre detentos e até mesmo times convidados. O esporte é uma das reivindicações feitas pelos apenados. A horta, que já é uma realidade, receberá mais incentivo. Muitos dos presos passam o dia trabalhando fora da cadeia e retornam no final da tarde para suas celas. Quando todo o programa for colocado em prática as autoridades ligadas ao sistema penitenciário não têm dúvida de que a história de fugas, motins, tráfico, corrupção e assassinatos começará a mudar. Mas entendem que nada disso pode ocorrer a curto prazo. Mesmo porque a crise vem de longos anos e não será fácil superá-la em pouco tempo. Alguns presos já informados do propósito da Secretaria de Justiça esperam o dia em que não mais terão que ter em suas celas estiletes para se defender. ?Que venha a nova direção com garra, projetos e vontade para mudar a cara do sistema prisional que cheira a pólvora e sangue?, diz um apenado. Se todo o projeto não puder ser implantado, os presidiários pedem direitos básicos, como melhorar a alimentação, assistência médica, odontológica e jurídica. ?Atendendo a esses requisitos é possível manter uma boa relação com os presos?, afirma J.P.S., 38, condenado por homicídio.

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