Polícia
Sistema prisional de AL entra em colapso
Davi Soares Repórter A falta de interesse da sociedade sobre o que acontece por trás das cercas danificadas do Sistema Prisional do Estado de Alagoas contribui para o agravamento de um problema que ameaça explodir em fugas em massa num futuro mais próximo do que se imagina. Os gestores públicos costumam voltar suas atenções para os presídios somente em ocasiões de rebeliões, fugas e mortes de detentos. Passada a polêmica, continua a falta de investimento e de medidas socioeducativas e administrativas que promovam, pelo menos, a disciplina no ambiente do Sistema Prisional. ### ?Perdemos a auto-estima?, diz agente Para alguns diretores de presídios, a falta de armamento, de estrutura física e de treinamento dos agentes denuncia a carência de atenção a esses profissionais e vai de encontro a conceitos básicos e lógicos da segurança pública. Os concursados, que recebem R$ 1 mil, e terceirizados, com salário de R$ 475, fazem o mesmo serviço. ?O normal é a gente ficar dois meses sem receber salários, mas já passamos três meses sem receber. E olhe que trabalhamos por nós e pelos novatos. Quando eles chegaram tivemos de ensinar toda a rotina de trabalho daqui. Como ninguém quer ver nem cuidar do que está aqui do lado de dentro desse sistema prisional, ficamos aqui esquecidos pela sociedade e ainda sendo ameaçados de perder um emprego dessa qualidade. Quem vai querer um emprego desse??, indagou um agente terceirizado. ### Sem carteira, agentes são confundidos com bandidos Durante a visita às penitenciárias, a Gazeta não encontrou equipamentos de segurança, como coletes à prova de balas, armas com munição de baixa letalidade (balas de borracha). Segundo os agentes e alguns diretores, esses equipamentos são exclusividade do Grupamento Especial de Agentes Penitenciários, o temido GAP, que age na contenção de rebeliões. Durante os dois dias de visita, a única arma com munição de borracha foi vista no Presídio Cirydião Durval. ### Preso agencia prostitutas no Santa Luzia A denúncia mais grave colhida durante a reportagem sobre o trabalho dos agentes penitenciários foi a de que esses profissionais, que representam o braço do Estado nas penitenciárias, estariam escoltando reeducandas para pernoitar em presídios com supostos maridos e companheiros. Mas que, na realidade, seriam clientes que pediam mulheres a um reeducando que agenciava as supostas prostitutas. ### Direção nega denúncias e ameaça agente Por telefone, a diretora do Santa Luzia, Sheila Andrade, rebateu a denúncia de que algumas reeducandas de sua unidade prisional se prostituem em outros presídios. Ela classificou as acusações como sendo fruto da revolta dos novos agentes penitenciários, pediu seus nomes e ameaçou processar a reportagem, caso houvesse a publicação da denúncia. ?É tudo mentira desses filhinhos de papai que estão revoltados por causa do aumento da carga horária de trabalho. Mande eles virem dizer isso na minha cara! Me bote na frente deles! Eles são uns frouxos. São maloqueiros, biquetes e preguiçosos. Se você falar que há prostituição no Santa Luzia, eu processo! E me diga os nomes deles que eu quero processá-los também?, esbravejava a diretora. ///