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Impunidade eleva execu��es de gays

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Lelo Macena Repórter A cada dois dias, um homossexual é brutalmente assassinado no Brasil. O País detém o vergonhoso título de campeão mundial de matança de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, a chamada população GLBT, com uma média de 150 crimes por ano. Mais de 40% dos casos são registrados no Nordeste, região na qual Alagoas se destaca pela quantidade de mortes de homossexuais. De janeiro do ano passado até este mês, o Estado abasteceu as estatísticas brasileiras com 31 assassinatos de GLBT, todos praticados sob a ira da homofobia ? aversão aos homossexuais, e marcados pela crueldade das execuções. ### ?Número de mortes é maior? Para o presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Teddy Marques, a impunidade tem incitado as agressões e os crimes contra a comunidade GLBT. ?Já fizemos reuniões com o Ministério Público, com a OAB para cobrar empenho nas investigações, mas até agora nenhum desses crimes foi solucionado e ninguém foi preso?, diz o presidente do GGAL. Teddy Marques assegura que o número de homossexuais mortos em Alagoas pode ser bem maior do que os apresentados pelas estatísticas. ### Machismo alimenta ódio O machismo característico da região e a intolerância difundida pelas igrejas evangélicas, que se alastram e avançam pelo Nordeste, são o combustível da homofobia e do ódio que motivam os crimes contra os homossexuais. É o que afirma, do alto de sua autoridade no assunto, o antropólogo e professor da Universidade Federal da Bahia, Luiz Mott, 61 anos, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), e o principal estudioso da homossexualidade no Brasil. ### Mãe desabafa sobre morte Maikel Marques Repórter Arapiraca ? O artesão e decorador de festas Osvan Inácio dos Santos, 21, levava vida reservada ? pelo menos diante da família ? e costumava dizer que notícia ruim chegava com rapidez. E a pior notícia que uma mãe poderia receber chegou de forma inesperada e avassaladora. ?Recebi a notícia da morte de meu filho e também fiquei sabendo que ele era gay naquele instante. Foi um choque. Infelizmente, ele escondia isso de todos nós aqui em casa. E eu teria apoiado ele se soubesse da verdade?, revelou Severina Maria das Neves, mãe de Osvan. ### Crime continua cercado de mistério Os últimos passos de Osvan Inácio na madrugada do domingo 16 continuam cercados de mistério e a Polícia Civil, mesmo em greve, trabalha no sentido de esclarecer o crime que chocou a cidade de Arapiraca pela brutalidade com que foi cometido: a vítima levou inúmeras pauladas na cabeça, mas não sofreu violência sexual, segundo o delegado Cícero Torres. Na última quarta-feira, o delegado reuniu-se com o gerente de Diversidade Sexual do Governo do Estado, Otávio Oliveira, e com o advogado Elson Folha, que representa o Grupo Gay de Alagoas. ### Amante pode ter sido algoz O auxiliar de enfermagem José Maciel da Cruz Silva (29), ex-miss gay Coruripe, levava vida discreta na cidade e, depois de juntar algumas economias, decidiu alugar uma residência para que pudesse desfrutar de sua liberdade ao lado de um eventual companheiro. O plano caiu por terra em janeiro de 2006. Maciel foi assassinado com requintes de crueldade. O crime chocou o município de Coruripe pela forma como foi praticado. Antes de ser morto com uma facada no pescoço, Maciel teve mãos e pés amarrados com seus próprios lençóis. ///

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