Polícia
Moradores de favelas fazem pacto com bandidos
Dois episódios recentes colocaram em evidência um modelo de convivência nas favelas de Maceió, que até então só se via nos noticiários nacionais, sobre o domínio dos traficantes nos morros cariocas. Esquecidos pelo poder público, abandonados em sua miséria absoluta, e sem a presença de ações efetivas de segurança pública, moradores da periferia de Maceió também entregam sua sorte a organizações criminosas, em troca de proteção, suprimentos e sobrevivência. ?A gente já vive no inferno. Para sobreviver, aqui, tem que fazer pacto com os bandidos?, diz uma moradora da favela Sururu de Capote. A própria polícia reconhece: ?De uma certa forma, eles assumem deveres que o Estado relaxou em algum momento, até mesmo na segurança de moradores e comerciantes. ### ?Protetor? se impõe pela intimidação Mês de fevereiro, há menos de 15 dias, uma força-tarefa integrada das polícias alagoanas ocupou a Vila Brejal em busca de criminosos envolvidos com o tráfico de drogas. Prendeu José Júlio de Oliveira, conhecido na comunidade como ?Zé Moreno?, e Ewerton Luann Melo Silva, o ?Nem Catenga?, acusados de integrar a quadrilha de um dos mais perigosos traficantes de Alagoas: Adriano dos Santos Oliveira, o ?Caetano?, preso no Baldomero Cavalcanti. Mais uma vez houve reação da comunidade, que enfrentou a polícia em defesa dos presos. ### PM tenta recuperar espaço na periferia Mais do que uma mostra ostensiva do domínio de grupos criminosos nos bolsões da miséria, os dois episódios registrados nesses dois meses escancaram para a polícia uma triste realidade: por falta de estrutura ou de ações estratégicas, a polícia perdeu terreno para os bandidos e precisa retomar seu papel de defesa da sociedade, também nessas áreas. ### Traficantes impõem toque de recolher Em algumas das favelas e grotas de Maceió, ninguém entra nem sai sem autorização dos bandidos. A ação dos grupos criminosos impede, até, o acesso de profissionais das áreas sociais e humanas. Na Grota da Alegria, por exemplo, as equipes do PSF não descem. Já houve situações em que os profissionais foram impedidos de visitar pacientes, na região do Dênisson Menezes, no Tabuleiro. As equipes do Virgem dos Pobres também têm limitações de áreas onde não podem entrar. ### Comunidade sofre com o fogo cruzado A maneira como a polícia entrou na Vila Brejal, quando efetuou as prisões de ?Zé Moreno? e ?Nem Catenga?, acabou se transformando na principal justificativa da reação da comunidade, que em princípio era de protesto contra as prisões. As vozes em defesa dos dois presos ? identificados pela polícia como criminosos ? acabaram se transformando em vozes de defesa do patrimônio e da dignidade humana. ?Na favela tem gente de bem!?, dizia uma mãe indignada com a agressão que o filho que sofreu. ?Eles invadiram casas, arrombaram portas e nem respeitaram as crianças?, reclamava outro cidadão. ///