Polícia
Viol�ncia urbana se alastra no interior
Cinco assassinatos registrados em um único fim de semana (25 a 27 de abril), no município de Marechal Deodoro. No dia 24, um duplo homicídio numa fazenda, em São Miguel dos Campos. Dia 28 de abril, a doméstica Ana Maria dos Santos, grávida de quatro meses, é executada em Messias, dentro de sua residência, numa ação que, aparentemente, tinha como alvo seu marido, José Cícero Ferreira. Um dia antes, a guarnição do 8º Batalhão de Polícia Militar havia registrado, no município, o assassinato de Fábio Batista da Silva, 27 anos, degolado com um facão. Também no dia 27, em Rio Largo, o jovem Daniel Silva dos Santos, 19 anos, foi executado a tiros. Uma semana antes, no dia 20, foram encontrados os corpos de dois homens em uma estrada, na zona rural do município de Paripueira, mortos a golpes de machado. ### Crimes estão ligados ao tráfico de droga A favelização da região metropolitana de Maceió é um fator que tem puxado também o crescimento da violência, resultando em muitos homicídios, sobretudo entre jovens de 15 a 18 anos, destaca o delegado Jobson Cabral, que há um mês assumiu a Delegacia de Satuba. ?A situação de miséria que encontramos em locais como a Mata do Rolo, Lourenço de Albuquerque, são apenas alguns exemplos do que vem acontecendo na grande Maceió. Esses jovens são iludidos com a droga oferecida, em princípio, gratuitamente, e com o dinheiro aparentemente fácil. Em pouco tempo estão totalmente envolvidos?, diz ele. ### Efetivo em cidades ainda é insuficiente Acostumado à agitação de uma cidade como Rio Largo, onde passou um ano e dois meses, Jobson Cabral considera a cidade de Satuba, onde está agora, uma comunidade calma, apesar de ter muitas áreas usadas para desovas, ser cortada por uma rodovia federal ? a BR-316, e já exigir uma atenção especial à presença de drogas. Dos 40 inquéritos instaurados em 2007, por exemplo, segundo o delegado, 33 foram por acidente de trânsito e apenas sete por homicídio. É praticamente o número que Rio Largo chega a registrar em um fim de semana. ### Dados sobre redução de mortes são inconsistentes Há poucos dias, o delegado-geral Marcílio Barenco disse que só em seu gabinete já havia detectado cerca de 30 policiais que não apareciam para trabalhar. Enquanto isso, em Marechal Deodoro, cidade com 45 mil habitantes, são quatro policiais civis por dia, segundo informou o Chefe de Serviço da delegacia, José Carlos Minin. À noite, o efetivo cai para dois plantonistas. Ele destaca que numa ocorrência deveriam ir mais que dois policiais, porque na maioria das vezes os grupos que praticam homicídios estão em número maior. Além disso, destaca ele, o município tem uma periferia grande e muito dispersa, com povoados populosos, como Francês, Barra Nova e Massagueira, e comunidades menores, mas com um índice de violência muito grande, a exemplo do conjunto Terra da Esperança, conhecido como Iraque. ///