Polícia
Deputados s�o presos por pistolagem
O presidente afastado da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa de Alagoas, deputado Antônio Albuquerque (sem partido), voltou a figurar na mídia, ontem, desta vez preso e algemado. Ele e os também deputados estaduais Cícero Ferro e João Beltrão ? ambos do Partido da Mobilização Nacional (PMN) e igualmente afastados da ALE desde março último após serem indiciados na Operação Taturana, que desbaratou, em 2007, uma quadrilha responsável pelo desvio de cerca de R$ 300 milhões do órgão ?, foram alvos, ontem, da Operação Resurgere, deflagrada pela Polícia Civil com objetivo de punir envolvidos em crimes de pistolagem no Estado. O deputado João Beltrão foi o único dos três parlamentares não encontrado até a noite de ontem pela Polícia Civil, que contou com o apoio da Polícia Federal, Polícia Militar e Força Nacional, para cumprir os dez mandados de prisão e os dez mandados de busca e apreensão expedidos pelos juízes da 17ª Vara Criminal da Capital. Os policiais militares Talvane Luís da Silva, Valdomiro dos Santos Barros e Daniel Luiz da Silva Sobrinho, além do comerciante Eufrásio Tenório da Silva, chamado ?Cutita?, também foram presos, acusados da autoria material de homicídios. ### Surpreendido, Albuquerque não reagiu | FELIPE FARIAS - Repórter O deputado Antônio Albuquerque, presidente afastado da Assembléia Legislativa de Alagoas, era aguardado por eleitores e correligionários, por volta de 7 horas, em sua casa, numa fazenda às margens da rodovia AL-220, município de Limoeiro de Anadia, quando foi abordado por agentes da Polícia Civil acompanhados de policiais federais e militares da Força Nacional, que cumpriam mandado de prisão expedido pela Justiça de Alagoas contra ele. O mandado foi entregue pelo delegado Rodrigo Sarmento e na equipe havia ainda um diretor da Secretaria de Defesa Social, delegado Edson Freitas. No momento, não haveria nenhum integrante da segurança particular do deputado, que o acompanha a todo lugar. ### Ferro é detido em casa e Beltrão escapa | MARCOS RODRIGUES - Repórter Às 5h30 a polícia cercou o Condomínio Alderan, no Tabuleiro, onde moram os deputados estaduais Cícero Ferro (PMN) e João Beltrão, ambos afastados da Assembléia Legislativa, acusados de envolvimento na Operação Taturana. O condomínio de luxo teve a principal entrada fechada pela polícia. Ninguém saía ou entrava sem se identificar. A ação foi acompanhada de perto pelo delegado-geral da Polícia Civil, Marcílio Barenco, pelo delegado Davi Peixoto, e envolveu também homens da Polícia Federal e da Força Nacional. ### Investigação vai continuar, diz secretário | DAVI SOARES - Repórter O primeiro balanço da Operação Resurgere foi apresentado ao meio-dia de ontem em entrevista coletiva concedida pelo secretário de Defesa Social, Paulo Rubim e o superintendente adjunto da Polícia Federal (PF), José Sagrado da Hora. Acompanhados de dois delegados da Polícia Civil, eles disseram que esta foi apenas uma primeira etapa da operação e que ela deverá investigar todos os crimes de mando cometidos no Estado há menos de 20 anos. ?Essas ações dizem respeito a homicídios e como eu disse aos senhores, desde o dia em que tomei posse, crimes do passado, do presente e do futuro todos serão investigados e seja quem os tenha cometido, nós vamos investigar todos neste prazo. São crimes tidos como insolúveis, que vamos apurar e apresentar os acusados à Justiça?, disse Rubim. ### PMs foram levados para presídio militar O superintendente adjunto da Polícia Federal, José Sagrado da Hora, disse que a operação prossegue até que sejam cumpridos todos os quatro mandados de prisão restantes. O deputado João Beltrão foi procurado em suas residências em Coruripe e no Condomínio Aldebaran, mas não foi encontrado. ?Não vamos interromper as buscas porque acreditamos que ele não saiu daqui do Estado. Mas também esperamos que o deputado João Beltrão e os outros acusados se apresentem. Até porque a prisão é temporária e tem prazo de validade. Quanto antes eles se apresentarem, nós mesmos, assim que colhermos as informações que pretendemos, vamos sugerir ao Judiciário que os liberte. Não há razão para temer a prisão na medida em que eles fornecerem o que nós precisamos?, disse da Hora. DS /// Vestido com casaco de couro e algemado, presidente afastado da ALE chega à Polícia Federal. Foto: Marcelo Albuquerque