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Mais de 12 mil queixas de roubos e furtos

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Como um gavião que circula e aguça o olhar de rapina para dar o bote certeiro, o assaltante observa bem a área, escolhe o alvo e parte para a caça. No lugar das garras, o revólver. Ou apenas uma mão leve para possuir o que deseja. Os roubos e furtos estão muito mais próximos do que se imagina. Constituem a violência mais presente no dia-a-dia dos cidadãos. Segundo dados oficiais, até julho deste ano foram registradas mais de 12 mil queixas de crimes dessa natureza em Alagoas. Uma média de 58 casos por dia. Isso sem levar em consideração a incontável quantidade de assaltos que ficam fora das estatísticas oficiais porque as vítimas não quiseram prestar queixa. ### Mais de 67% dos assaltos durante o dia A utilização de equipamentos de segurança, como cerca elétrica e alarme, e a contratação de empresas de vigilância afastam os ladrões de residências da área nobre. Com isso, os bairros da periferia lideram os índices do Comando de Policiamento Militar (Copom) nesse item, que soma mais 296 casos. O Tabuleiro do Martins mais uma vez se apresenta no topo do ranking com 10,5%, seguido pelos bairros do Benedito Bentes (9,1%), Jacintinho (7,7%), Vergel do Lago (5,7%) e Ponta Grossa (4,4%). Ao contrário do que muita gente pensa, os números mostram que as mansões não são os alvos preferidos. Também se engana quem acha que o perigo é maior na calada da noite. ### Especialista orienta postura do cidadão No início da década de 90, o alagoano se assustava com reportagens mostrando como era difícil encontrar alguém que nunca tinha sido assaltado no Rio ou em São Paulo. De lá para cá, o que parecia distante virou rotina. Se ainda não foi vítima, a pessoa conhece alguém que já se deparou com um bandido. Para não se expor tanto ao perigo, é preciso observar algumas dicas de profissionais da área de segurança. ?O celular rapidamente se transforma em moeda de troca, é muito fácil vender, portanto tenha cuidado com o seu, não saia por aí ostentando ou dando bobeira?, sugere a delegada Lucy Mônica, diretora de Estatística, Informática e Armas da Polícia Civil. ### Fim de delegacia descentraliza queixas na capital Implantada na década de 80, a tradicional Delegacia de Roubos e Furtos era considerada obsoleta para os novos moldes da segurança pública e foi extinta há cerca de um ano, através da Lei Delegada nº 43. Segundo a assessoria de Comunicação da Polícia Civil, o registro e a apuração dos casos melhorou muito depois que eles foram encaminhados para as outras delegacias, que, na época, passaram de 21 para 25 distritos na região metropolitana A diretora de estatística da polícia prefere não fazer nenhuma análise sobre a mudança enquanto não tiver números mais consolidados. ?Um mês depois que a Roubos e Furtos foi extinta, começou a greve dos policiais civis, que se estendeu até março deste ano?, justifica a delegada Lucy Mônica, que defende a importância de um trabalho sério com os números para traçar as estratégias e ações de combate à violência. ### Crack e celular puxam assaltos Com anos de batente e à frente de um dos distritos mais violentos de Maceió, a delegada do 3º DP, Maria Aparecida de Araújo, evita as teorias e aponta duas razões concretas para o alto índice de assaltos: o crack e o celular. ?Essa droga aumenta a quantidade de produtos roubados porque tem um efeito muito rápido, custa R$ 10 a pedrinha e o viciado faz de tudo para arrumar o dinheiro. Já o celular é moeda de troca, vira dinheiro vivo?. Maria Aparecida atua numa área considerada um barril de pólvora com o estopim aceso, que engloba os conjuntos Virgem dos Pobres 1, 2 e 3 e as favelas do Galpão, Torre, Muvuca e Sururu de Capote. Todos os dias, pelo menos dez queixas de roubos e furtos são registradas. O xadrez vive lotado. ### ?Big Brother? alagoano ainda é tímido A Secretaria de Defesa Social (SDS) implantou, na última quarta-feira, a segurança eletrônica com duas câmeras instaladas no calçadão do comércio e na orla de Ponta Verde. O sistema é um grande aliado na prevenção e combate a crimes, mas chega um pouco tarde e de forma muito tímida em Maceió. A monitoração eletrônica foi implantada há mais de duas décadas em outras capitais. Enquanto aqui são duas câmeras com a previsão de instalar outras dezoito se os hoteleiros e comerciantes financiarem os equipamentos, em Manaus são 302 câmeras pagas pelo Estado mesmo. ### Comunidade ajuda trabalho da PM Além das câmeras eletrônicas, a polícia conta com olhares atentos por todos os lados para localizar os assaltantes. Criado há dois anos, o Projeto Comunidade Alerta é considerado um sucesso porque tem a população como grande aliada. Começou com os rádios dos taxistas ligados à freqüência do Copom, mas logo foi ampliado para postos de combustíveis, igrejas e outros estabelecimentos. Segundo o coordenador do Copom, major Carlos Luna, os porteiros de condomínio têm se mostrado eficientes ?soldados? do Comunidade Alerta. /// Jovem vítima de assalto em bairro da periferia presta queixa em delegacia de Maceió. Foto: Gilberto Farias

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