Polícia
Falta de delegados pode extinguir Nirco
Quando o alagoano começa a perceber os efeitos de uma nova lógica no combate à corrupção, à violência e à impunidade, um velho problema volta a atacar, justamente no braço armado para enfrentar as organizações criminosas. O Núcleo Integrado de Repressão ao Crime Organizado (Nirco) da Polícia Civil passa por um esvaziamento, com a redução do quadro de cinco delegados para apenas dois. Mesmo assim, consegue avançar em missões estratégicas, às vezes na base do improviso, com os delegados acumulando a função de escrivão. O alerta é lançado pelo próprio coordenador do Nirco, delegado Denisson Albuquerque. ?Se ficar só com dois delegados não teria como o núcleo continuar, seria o mesmo que fechá-lo, sem dúvida eu pediria o afastamento?, adverte. ### Campanha teve início com núcleo de juízes alagoanos Como um tratamento que combate o câncer do crime organizado, a atuação de organismos criados especificamente para este fim ataca o problema em doses invasivas. Grandes operações articuladas entre a polícia e a justiça nas esferas estadual e federal seriam sessões de quimioterapia. Geram reações adversas, mas são a principal alternativa para minar e extirpar as células malignas, no caso as quadrilhas que agem de maneira articulada e sob o comando de representantes do poder político e econômico em Alagoas. A criação do Núcleo de Combate ao Crime Organizado (NCCO) pelo então presidente do Tribunal de Justiça (TJ), desembargador Estácio Gama de Lima, em 2006, é o marco nesta reação do poder público constituído contra o avanço da criminalidade e de poderes paralelos. ### Gecoc se destaca na troca de informação Em outra trincheira dessa guerra contra a violência institucionalizada, o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gecoc) se destaca na troca de informações com promotores de Justiça de todo o País. Assim como as quadrilhas ultrapassam as divisas estaduais, a integração entre os representantes do Ministério Público (MP) também. Após o exemplo pioneiro do núcleo dos juízes, o Colégio de Procuradores de Alagoas implantou o Gecoc em 2006, aderindo ao grupo criado nacionalmente, o Genecoc, que integra representantes de mais de 90% dos Estados brasileiros. A coordenadora do Gecoc, Karla Padilha, destaca que o combate ao crime fica mais ágil e eficaz com a definição de prioridades, áreas de atuação e planejamento de estratégias em interação com os grupos de outros Estados. ### Barenco destaca esvaziamento Apesar das queixas apresentadas pelo coordenador do Nirco, Denisson Albuquerque, o delegado geral da Polícia Civil, Marcílio Barenco, ressalta a importância estratégica do núcleo e descarta qualquer possibilidade de esvaziamento. Segundo Barenco, o Nirco passa por uma reestruturação e terá três delegados que vão atuar exclusivamente lá, ao contrário do que acontecia quando havia cinco delegados, mas quase todos tinham atribuições em outros setores. ?Por se tratar de um núcleo especializado, o Nirco já dispõe de número de policiais superior a qualquer delegacia distrital. Além disso, o Núcleo não realiza atendimento ao público, e possui três viaturas descaracterizadas, o que também não ocorria antes da reestruturação?, esclarece o delegado geral. /// Delegado Denisson Albuquerque: ?Estrutura deve melhorar?. Foto: Gilberto Farias ? Arquivo GA