Polícia
Tr�fico e viol�ncia � margem da lagoa
O bárbaro assassinato do estudante Hewrisson de Araújo Santos, 16 anos, a poucos metros de sua residência, no Conjunto Virgem dos Pobres, à margem da Lagoa Mundaú, ainda chama a atenção pela crueldade com que foi praticado. Seu algoz disparou cinco tiros, um dos quais no rosto. Em seguida, deu sucessivos chutes em sua face, que ficou desfigurada, irreconhecível. Motivo do crime: dívida de apenas R$ 40. A cena deixaria estarrecido qualquer cidadão, mas para os moradores do Virgem dos Pobres e de bairros circunvizinhos, barbaridades desse tipo se tornaram fato corriqueiro. ### Comerciantes alimentam ?bico? policial Para garantir o funcionamento do negócio, comerciantes acuados pela marginalidade são obrigados a investir em segurança privada, por meio da ?contratação? até mesmo de policiais militares, que encontram na região terreno fértil para fazer o ?bico? e engordar a renda familiar. O mercadinho do comerciante Everaldo da Silva, há oito meses no ramo, nunca foi assaltado porque ele investe mensalmente R$ 600 reais no bolso de um policial militar, que garante segurança nos horários de maior movimentação. ?Abro mão de parte considerável do meu lucro para poder ter segurança. Infelizmente, a polícia não garante a nossa segurança?, diz Everaldo. ### PM também teme insegurança da região Certo de que seu efetivo é suficiente para garantir segurança a aos que vivem entre Pontal da Barra e Jacarecica, o comandante do 1º Batalhão da PM, tenente-coronel João Marinho reconhece que, além do êxodo rural e da falta de empregos, o consumo e o tráfico de drogas são a principal causa principal da violência no Virgem dos Pobres. ?É com o dinheiro do tráfico que os bandidos compram armas, patrocinam o assassinato de alguém da gangue rival e também cometem assaltos?, diz o militar. Os trabalhos de inteligência da PM também verificaram que o consumo de álcool, principalmente nos bares da orla lagunar, contribuem para o elevado número de assassinatos. ?Constatamos um grande número de homicídios aos domingos, sempre a partir das 17 horas, quando o pessoal já está extremamente embriagado?, conta Marinho. /// Com medo da violência, familiares do garoto Hewrisson abandonaram o lar e sumiram. Foto: Robson Lima