Polícia
Como��o e revolta no enterro de jovens
Sem direito a velório nem flores, os irmãos Magno José Assunção Batista, 24, Marcelino Assunção Batista, 28, Márcio Assunção Batista, 30, e Marcelo Assunção Batista, 28, vítimas do quádruplo homicídio ocorrido na noite de quinta-feira, no conjunto Vale do Mundaú, no Bom Parto, foram enterrados, em covas separadas, na tarde de ontem, no Cemitério de São José, no Trapiche. A mãe deles, Vicentina dos Santos Assunção, de 64 anos, que sofreu um infarto e morreu horas depois de saber da morte dos filhos, também foi sepultada a poucos metros das covas dos irmãos assassinados. De acordo com os primeiros levantamentos da polícia, o crime pode estar ligado ao tráfico de drogas. Os corpos de Marcelino, Márcio, Marcelo e Magno foram liberados do Instituto Médico Legal (IML) no início da tarde de ontem e levados ao Cemitério de São José, onde poucas pessoas, a maioria parentes, já aguardavam. ### Bairro amanhece sob domínio do medo | MARCOS RODRIGUES - Repórter Tragédia e medo no bairro do Bom Parto. Ontem pela manhã, a polícia ocupou os conjuntos Nova Vila e Vale do Mundaú onde, na noite desta quinta-feira, uma família foi dizimada, ao que tudo indica, por traficantes que atuam no bairro. O saldo da violência foi quatro irmãos mortos a tiros, uma adolescente de 17 anos baleada e a mãe dos garotos morta, em conseqüência de uma parada cardíaca. De acordo com informações extra-oficiais, todas as vítimas eram viciadas em maconha e crack, e foram mortas com tiros na cabeça e tórax. Dois deles ? Magno José Assunção Batista, 24, e Marcelo Assunção Batista, 28 ? foram mortos em casa. Depois tiveram os corpos arrastados por 100 metros até o ?Beco do Sargento?, onde já haviam sido executados Marcelino Assunção Batista, 28, e Márcio Assunção Batista, 30. ### Família sempre tentou ajudar irmãos Segundo policiais que participaram da operação, o trabalho de busca e apreensão não foi melhor por conta da ?lei do silêncio? que imperava no bairro ontem Ao falar da convivência com os primos, Lidiane contou que a luta de sua tia ? D. Marcelina ? era para que os filhos largassem a droga. Muito dedicada à sua congregação, era comum sua participação em virgílias promovidas pela igreja, onde pedia para que eles se libertassem do vício. A prima ressalta que a família sempre tentou ajudar os rapazes, mas eles não conseguiam deixar a ligação com as drogas. Desde a morte do pai, era D. Marcelina quem garantia a renda com sua aposentadoria. Os irmãos costumavam trabalhar, mas não tinham emprego fixo. /// Os corpos dos quatro irmãos mortos na chacina, na última quinta-feira: caixões doados pela prefeitura e espera fora da igreja. Foto: Robson Lima