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Ex-presidi�rio comanda saques na BR-101

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SEVERINO CARVALHO Sucursal União dos Palmares ? Um membro da Direção Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que preferiu não se identificar, revela que o acampamento situado à margem da BR-101, no trevo de acesso ao município de Joaquim Gomes, está sob o comando de um ex-presidiário, conhecido pela alcunha de ?Sapo?, que cumpre pena por tentativa de homicídio e assalto, em regime semi-aberto. Segundo a fonte, o grupo liderado por ?Sapo? e por seu irmão, ?Zé do Pilar?, possui armas de fogo no acampamento. Eles estariam trocando alimentos - produto dos saques ? por munições. Por causa das ações radicais do grupo, a Direção Estadual do MST decidiu descaracterizar os mais de 200 integrantes do acampamento. ?Já comunicamos esta decisão à Comissão de Direitos Humanos da Polícia Militar (PM) e vamos enviar ofício ao Ministério Público (MP) informado que o MST não se responsabiliza por qualquer tipo de ação que parta daquele grupo?, salientou a fonte. Iludidos Ela garante, no entanto, que existem no acampamento dezenas de famílias de trabalhadores rurais sem-terra, mas que estão iludidos e outros se sentem até ameaçados e por esta razão não deixam o local. ?Mandamos um ônibus para levar os trabalhadores a outros acampamentos do MST, mas ninguém quis sair?, disse. De acordo com a fonte, o grupo está usando a bandeira do MST para promover bloqueios, pedágios e saques na BR-101. ?Tentamos retirar a bandeira mas fomos ameaçados?. Os saques, que seriam uma solução para o problema da fome no acampamento, se transformou em motivo de discórdia. Por causa da má divisão dos alimentos, o acampamento rachou em dois blocos. Uma parte se encontra junto ao trevo de acesso a Joaquim Gomes e outra, mais abaixo, antes da ponte sobre o Rio Camaragibe Mirim. Segundo a liderança do MST, o grupo situado no trevo é mais arisco e está sob o comando de ?Sapo? e ?Zé do Pilar?. Este era assentado em Porto Calvo e teria vendido o lote de terra. Já o grupo de baixo é liderado por ?Cícero Cabelo Branco?. Ainda de acordo com a fonte, ?Cabelo Branco? chegou a tomar uma carreta e manteve o motorista em cárcere privado. ?Ele dirigiu o veículo até uma estrada de barro, mas quando percebeu que a carga era de ração animal a devolveu?. Carreta O último saque aconteceu no dia 10 deste mês, a uma carreta carregada de biscoitos da empresa Bauduco. ?Não autorizamos este tipo de ação. A última vez que fechamos a BR-101 foi quando da vinda de Brasília do ouvidor-agrário nacional, Gercino José da Silva Filho. As demais ações foram por conta deles?. Segundo a liderança do MST, os acampados chegam a exigir durante os pedágios até R$ 30 para liberar a passagem de veículos. Os sem-terra acampados na BR-101 aguardam a imissão de posse da Fazenda Serrana. ?Quando as terras forem desapropriadas estes acampados não serão beneficiados. Vamos dar preferência às famílias acampadas em Bolo, Tabocau e Bebidas?. Os acampados junto à ponte sobre o Rio Camaragibe Mirim, na BR-101, dizem que resolveram se separar do grupo localizado no trevo de acesso a Joaquim Gomes por causa das ações delituosas. ?Eles fecham a pista, saqueiam e jogam pedra nos carros. Nós aqui só fazemos pedágio para ajudar na alimentação?, disse o trabalhador rural Joel Silva, 63. O acampamento junto à ponte tem cerca de 50 famílias. Eles reclamam que o governo federal não fornece alimentação há cerca de 4 meses. ?Não temos o que comer, por isso pedimos na pista?, afirmou Maria do Carmo da Silva, 31. Eles afirmam, ainda, que não se importam por não mais pertencerem ao MST. ?Vamos ficar sem bandeira. Já chega de mentirosos?, disparou Joel Silva.

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