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Pais de assassino alegam doen�a mental

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Dois meses de namoro, seis meses de vida conjugal. Tempo suficiente para selar o destino da modelo Paloma Stefany e do ex-jogador de futebol Jonathan Queiroz. A paixão avassaladora foi dominada pelo ciúme doentio. Em pouco tempo, o romance virou posse, submissão e fúria. Ao ponto da última discussão do casal terminar num caminho sem volta, no último dia 26, com seis golpes de faca. Após juras de amor eterno, a garota de 16 anos tenta respirar com uma perfuração no pescoço e outra na barriga, deseja fugir e sobreviver, mas cai. Antes da morte, ainda sente a invasão da lâmina fria mais quatro vezes. Quatro golpes nas partes genitais. A mão que empurra a faca é a mesma que fazia carícias, que levava Paloma para passear. ### Acusado queria matar toda família Dois meses antes do assassinato, Jonathan teve um surto, agrediu o pai, a mãe e o irmão e foi internado no hospital psiquiátrico Ulisses Pernambucano. Segundo a mãe de Paloma, ele queria matar toda a família e tentou o suicídio, pilotando uma moto e atirando-se contra um poste. A psiquiatra que o atendeu, Alice Mary Ribeiro, percebeu o desenvolvimento de algumas características da esquizofrenia. ?Dei um atestado com a hipótese diagnóstica dessa doença, mas a conclusão depende de uma perícia médica, com acompanhamento constante, para se chegar a um código específico?, explica. Na avaliação da médica, o ex-jogador das divisões de base do Vitória da Bahia estaria no início da doença. ?Nesta fase, é difícil fazer o diagnóstico, mas levantam-se suspeitas?, informa Alice Mary. ### Pai se desesperava com crises do filho O pai de Johny, Gilson Diniz, concedeu um depoimento exclusivo à Gazeta de Alagoas, na última quinta-feira, confirmando o caráter nervoso e violento do filho. Numa conversa rápida por telefone, o empresário revelou ter sido ameaçado várias vezes e até agredido fisicamente por Jonathan. ?Toda vez que ele tinha crise, vinha para cima de mim. Quando isso acontecia, minha dor era insuportável?. Segundo Gilson, o filho nunca usou drogas, mas sofria alucinações quando entrava em crise. ?O Johny ficava vendo coisas e ouvindo vozes durante as crises. Procure saber o que é esquizofrenia bipolar para ter ideia de como estamos sofrendo?. O empresário afirma ainda que se sentia um pai para Paloma. ?Também estou morto, estou arrasado, todo mundo sabe que ela era como uma filha para mim. De uma só vez, perdi meu filho e minha filha?. ### Jonathan muda depoimento inicial e diz que foi ciúme Na última segunda-feira, a Gazeta teve acesso à área de detenção do 4º Distrito Policial onde está preso Jonathan Queiroz, também chamado de ?Jonhy?, e conseguiu conversar com ele por alguns instantes. Demonstrando frieza e às vezes rindo, o ex-jogador de futebol alega que matou por amor. ?O nosso amor é muito grande, existe vida eterna e ela está aqui ao meu lado?. Ao ser questionado sobre a alegação da família de que ele é esquizofrênico, o rapaz fez pouco caso. ?Bebi cerveja e o satanás me atentou?. Ao contrário do que declarou no depoimento à polícia, o ex-jogador não quis mais dizer que foi traído pela garota e cometeu o crime por ciúme. ?Eu era louco por aquela mulher?, comentou o réu confesso. ### Lei prevê pena em centro psiquiátrico Engana-se quem pensa que a insanidade mental de um assassino pode deixá-lo livre. Doutor em Direito Penal, o juiz Alberto Jorge Correia de Lima explica que o portador de uma doença mental não é condenado a cumprir pena em presídio comum, mas deve ser submetido a uma medida de segurança com internação no Centro Psiquiátrico Judiciário. Isso acontece por causa do sistema de inimputabilidade, a incapacidade de responsabilizar penalmente o acusado. O código penal brasileiro prevê a inimputabilidade biológica para menores de 18 anos, a antropológica, considerando a cultura completamente diferente dos índios, e a biopsicológica, que inclui a doença mental, o desenvolvimento mental retardado e outros transtornos. /// Quando falou à Gazeta, Jonathan mantinha olhar vago e se escondia por detrás de sua camisa. Foto: José Emílio Perilo

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