Polícia
Identificada uma v�tima do cemit�rio clandestino
A Polícia já identificou um dos corpos encontrados no cemitério clandestino descoberto na quarta-feira no município de Coqueiro Seco. Trata-se do pedreiro Cizino Bispo dos Santos, 58 anos, que foi reconhecido ontem por familiares no Instituto Médico Legal (IML), apesar do avançado estado de decomposição. O reconhecimento foi feito pela segunda esposa do pedreiro de nome Cacilda, que ontem mesmo foi encaminhada à Secretaria de Defesa Social para prestar depoimento. Segundo Maria Cícera Pereira, filha do primeiro casamento, a família nunca teve conhecimento de qualquer envolvimento de Bispo dos Santos com crime ou drogas. Disse que o pai, que morava com a segunda mulher no bairro do Reginaldo, estava desempregado e trabalhava como catador de latas. ?Meu pai, apesar de ultimamente não termos muitos contatos, era considerado um homem pacato e que nem sequer bebia; só fumava?, disse ela. Pelas informações recebidas da madrasta, o pai dela havia desaparecido de casa no último dia 14, quando saiu para trabalhar de manhã. De acordo com Maria Cícera, antes de desaparecer o pai teve um desentendimento com um vizinho, que o teria ameaçado de morte. Enterro Os corpos das demais vítimas foram enterrados como indigentes no fim da tarde de ontem, depois que foram retiradas amostras do sangue e feitas fotos das outras oito vítimas, que vão servir para um possível reconhecimento. Funcionários do IML explicaram que a pressa para enterrar os corpos deve-se ao mau cheiro provocado pelo adiantado estado de decomposição dos corpos. Ouvidor diz que crimes podem envolver policiais O ouvidor-geral do Estado, Geraldo Majella, disse, ontem, não descartar nenhuma possibilidade de participação de policiais no assassinato de nove pessoas, cujos corpos se encontravam num cemitério clandestino, no município de Coqueiro Seco (a 32 Km de Maceió). ?Não podemos afirmar que haja participação de policiais nesse tipo de ação criminosa, pois não se apresentou provas nem indícios, pelo menos publicamente. Mas que não se pode descartar nenhuma possibilidade?, revelou. Geraldo Majella lembra que há em Alagoas uma ?tradição macabra?, de existência de cemitérios clandestinos, com a conivência de alguns governantes, ?fazendo do crime instrumento político?, ressaltou o ouvidor-geral do Estado. Ele considera indispensável que o Estado investigue e monitore de todas as formas para encontrar e identificar os autores desses crimes que vêm ocorrendo em Alagoas. OAB A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Alagoas (OAB/AL), designou o advogado Pedro Montenegro, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL, junto com Mirabel Alves Rocha e Narcizo Cerqueira, para acompanharem as diligências e investigações sobre o cemitério localizado em uma mata fechada no município de Coqueiro Seco. O presidente da Ordem, Areias Bulhões, também acredita que, pelas características do crime, tudo leva a crer tratar-se de uma execução sumária, atribuída a grupos de extermínio que estariam agindo em Alagoas. A OAB encaminhou ofícios ao governador Ronaldo Lessa e ao secretário de Defesa Social, Antônio Arecippo, solicitando as devidas providências para apuração dos crimes e exigindo punição para os culpados.