Polícia
Alcoolismo atinge cerca de 2 mil PMs
Um gole de aguardente é o desjejum de muitos militares alagoanos. O ritual vem após se vestirem para a batalha diária nas ruas do Estado mais violento do País. A ingestão de álcool virou rotina, mas não apenas de quem corre atrás de bandido, daquele que recebe salário menor. Oficiais superiores ? gente do alto escalão que comanda e pensa a segurança pública ? também estão adoecendo: viraram dependentes de álcool e engrossam a lista de personagens acompanhados por psicólogos e assistentes sociais. Tentam se curar. Em todos os Estados, pobre ou rico, a situação não é mais novidade: o policial está bebendo mais e algum tempo depois pode virar um dependente de álcool, um alcoolista, mesmo ele próprio não admitindo tal situação e seus comandantes ? são muitos ? fecham os olhos para o problema que faz ruir a dignidade do policial militar. ### Ajuda na recuperação ainda é deficiente O acompanhamento a militares dependentes caminha a passos lentos, segundo avaliam as associações que representam as categorias. ?O apoio é muito aquém do que deveria. A contribuição na tentativa de recuperar é muito pouca. As polícias são as que mais sofrem consequências como o estresse. O paliativo para o estresse é beber. Essa virou uma forma de relaxar?, declarou o presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Wagner Simas. O militar disse que já presenciou casos de policiais que estavam num nível de dependência tal que tiveram de ser transferidos para outros Estados para ter tratamento médico especializado. ### PM lança programa preventivo Uma iniciativa está aí para tentar ?salvar? os militares alagoanos do álcool, um programa de prevenção. Oficiais serão escolhidos ? e capacitados ? para identificar, abordar e acompanhar policiais da corporação que têm bebido além da conta. Isso a partir da segunda quinzena de maio. O objetivo é oferecer ajuda, antes que seja tarde, como tem acontecido nos últimos tempos. A ?transgressão disciplinar? será finalmente encarada como doença. Efetivamente, Alagoas nunca teve um programa para ajudar esses militares. ?Quando o policial nos procura já está totalmente dependente, por isso queremos identificar antes os casos, através da capacitação dos oficiais feita por psicólogos?, disse o tenente-coronel Valdeir Araújo, chefe do Centro de Assistência Social (CAS) da PM. ### Recuperado, PM ajuda colegas de farda Com a autoridade de quem atua há 24 anos na Polícia Militar, dez deles dedicados ao trabalho ostensivo, o soldado José Cícero da Silva, viveu longos anos de sua vida quase no fundo do poço. Levou duas punições do comando por conta de sua dependência e hoje, evangélico, tenta ajudar colegas de farda a sair do vício. A reviravolta não foi fácil. Hoje às vésperas de completar 48 anos, ele atribui sua vitória ?primeiramente a Deus?, segundo a sua força de vontade e depois ao trabalho desenvolvido pelo CAS. Há nove anos o soldado José Cícero deixou de beber. ?Eu era um policial muito competente e o comando sabia disso. Por isso recebi muita ajuda. Eles viram meu caso. ///