Polícia
Sessenta menores foram assassinados ou est�o desaparecidos em Macei�
Sessenta meninos e meninas de rua foram mortos, seqüestrados ou desapareceram misteriosamente nos últimos nove anos em Maceió, segundo depoimentos de menores, conforme documento contendo nomes e apelidos das vítimas e as formas de crime, apresentado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Alagoas (OAB/AL). A apuração dos dados resultou em reunião com meninos e meninas de rua e de entidades afins, realizada no dia 4 de julho, no auditório da OAB. O evento contou com a participação do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, educadores sociais e 25 meninos e meninas de rua. Segundo o depoimento desses menores, carros de cores cinza e preto parecidos com ?Opala? circulam tarde da noite nas proximidades da chamada Feira do Rato, Mercado da Produção e Praça Sinimbu. De acordo com as suas informações, trata-se do mesmo veículo que seqüestrou o adolescente ?Labirinto?, em março de 2000. Os meninos e meninas de rua como não dispõem de um albergue para dormir dormem nos bancos da Feira do Rato e Mercado da Produção, onde são violentamente acordados por policiais militares a cacetadas, furadas, puxões violentos, tapas e chutes. Sem vínculos A maioria deles não tem vínculos familiares e nem residências para dormir. Segundo uma das meninas de rua presentes à reunião, um homem numa moto a seqüestrou e a estuprou, apesar dos gritos da adolescente por socorro, que nada adiantaram. Alguns meninos conseguiram fugir de tentativas de estupro, por parte de homens da alta sociedade. Há casos relatados de alguns policiais que pedem dinheiro a eles para tomar cerveja e, quando não os atendem, por não dispor, apanham e levam cacetadas. Dos 25 meninos e meninas presentes à reunião, 13 deles foram ameaçados de morte por policiais. No documento, eles pedem: ?Precisamos e queremos um albergue para dormir, ter aulas e vivermos com dignidade. Queremos respeito?. Eles falaram da necessidade de uma mobilização para conscientizar a sociedade de tudo que estão passando, além da denúncia das mortes dos 60 colegas. A denúncia sobre o desaparecimento de meninos de rua foi encaminhada ao Ministério Público Estadual desde o ano passado, quando dirigentes do Projeto Catarse, entidade que trabalha com menores de rua, denunciou alguns casos. A Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB está documentada sobre os fatos, com nomes, datas dos crimes e idade das vítimas, especificamente meninos de rua sem quaisquer vínculos familiares.