Polícia
Aluno amea�a professor em sala de aula
Cercados por traficantes para quem também prestam serviço em bairros da periferia da capital, estudantes apavoram e amedrontam seus professores, que vivenciam rotina de muito medo durante a árdua tarefa de repassar algum conhecimento.Se no passado, os mestres impunham respeito, hoje a situação é bem diferente. Alguns alunos ditam as regras em sala de aula. Entre seus cadernos, alguns deles sem muita coisa escrita, é comum a presença de pedrinhas de maconha e crack. Nas mochilas, também portam bebidas, armas e facas. Munidos do utensílios indispensáveis ao ato criminoso, eles investem contra os educadores. E as agressões, segundo apurou a Gazeta, acontecem com certa naturalidade. Irados depois de receber alguma reprimenda em sala de aula, eles se vingam atingindo até mesmo veículos de professores. ### Educadores imploram por transferência Os números não são precisos porque poucos admitem o medo da violência, mas é crescente o volume de professores que, sentindo-se ameaçados, procuram as secretarias municipal e estadual de Educação com pedidos de transferência para bairros onde há mais segurança. Os mestres já não se sentem protegidos pelos muros das unidades escolares, que já não são mais sinônimo de lugar tranquilo. O comportamento agressivo dos alunos, muitas vezes movidos pelo consumo de entorpecentes, assusta e contribui para afastar os docentes da sala de aula. Se antes ensinar era um sacerdócio, agora é uma agonia. ### Violência preocupa diretores de escolas O aumento do registro de casos de violência, cometidos principalmente nas áreas próximas às escolas de Maceió, é um problema que vem assustando pais de alunos, estudantes e professores. Há cerca de uma semana, os alunos da Escola Estadual Maria Ivone presenciaram o colega José Diogo de Oliveira Lima, 14 anos, ser esfaqueado após reagir a um assalto. O ataque brutal aconteceu há 30 metros do portão da unidade de ensino. Desesperado e perdendo muito sangue, o estudante foi pedir socorro aos professores. Ao entrar no prédio desmaiou e ficou agonizando. Felizmente ele se recupera bem das quatro perfurações que sofreu. ### Professora alerta para papel da família A relação complexa entre alunos e professores não foi sempre assim. Houve um tempo em que o clima em sala era de compartilhamento e de interatividade. A professora Mirian da Silva Oliveira, 59, lembra bem disso. Dos 35 anos de magistério, 25 foram dedicados à escola pública. ?Comecei com a primeira série quando os ensinava a ler. Quando terminei minha carreira trabalhava com o segundo grau. Nos dois casos eles eram muito interessados e tinham muito respeito, além de atenção em sala de aula?, afirmou Lúcia. ///