Polícia
Escriv�o acusa Barenco de forjar provas
A cúpula da Polícia Civil e o próprio delegado geral, Marcílio Barenco, são acusados de forjar provas e torturar um preso para incriminar o delegado Eulálio Rodrigues, o escrivão José Carlos Minin e o advogado Saulo Oliveira. A denúncia partiu do escrivão, preso terça-feira sob suspeita de receber propina para libertar o traficante Moisés Santos da Costa Júnior, o ?Gil Bolinha?, e outros integrantes da quadrilha, presos em flagrante com 350 gramas de crack. Alojado na Casa de Custódia da Polícia Civil, no Farol, em companhia de Eulálio Rodrigues e de outros policiais detidos, Minin concedeu entrevista exclusiva à Gazeta de Alagoas e desqualificou a principal prova que serviu como base para decretação das prisões dele, do delegado e do advogado. ?Esta gravação é uma prova espúria, viciada, colhida por uma escuta plantada dentro de uma cela da casa de custódia, numa conversa desse Gil Bolinha com um tal de Wendell, um preso que foi colocado nesta cela pela cúpula da polícia?, acusa. ### Entidades criticam cúpula da Polícia Civil e Judiciário As entidades que representam advogados, delegados e policiais civis reagiram contra a prisão preventiva dos acusados de corrupção para liberar suspeitos de tráfico e reforçaram as críticas à direção da Polícia Civil e aos juízes da 17ª Vara de Combate ao Crime Organizado. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) e a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) constituíram advogados para auxiliar na defesa de Eulálio Rodrigues, José Carlos Minin e Saulo Oliveira, o pastor Saulo. ?Escuta telefônica de advogado pode ser crime, principalmente se não houver autorização judicial?, adverte o presidente da OAB em Alagoas, Omar Coelho, que manteve contato com a filha do pastor Saulo, a advogada Priscila Oliveira, integrante do Conselho de Direitos Humanos da entidade. Omar também disse que o pastor deve aguardar o julgamento do habeas-corpus para se apresentar à polícia. ### Barenco: baseado em provas materiais | MARCOS RODRIGUES - Repórter As denúncias do escrivão José Carlos Minin parecem não incomodar o delegado geral da Polícia Civil, Marcílio Barenco. Ao ser questionado pela Gazeta, ele garantiu que seu trabalho está baseado em provas materiais. ?Não vou nem responder porque nosso trabalho está fundamentado em provas materiais. Só posso entender que isso é um ato de desespero. Quando não se tem defesa, usa-se o ataque?, disse Barenco sem querer ouvir pontualmente as denúncias. As provas a que se refere envolve uma gravação feita a partir do telefone do traficante, Ivanildo Nascimento Silva, 25 anos o ?Aranha?. Desde que surgiram as acusações de que a libertação de Moisés Santos Costa Júnior, o ?Gil Bolinha? foi facilitada o próprio Barenco tem estado à frente das investigações. ///