Polícia
Canaviais de Alagoas viram ponto para desmanches
Escondidos e camuflados em meio ao labirinto de canaviais das áreas rurais de Maceió e de outras regiões do Estado, ou entocados na vegetação de um ponto remoto da periferia distante, os ?cemitérios de veículos? roubados se proliferam e mostram que a indústria do roubo e do furto de veículos anda de ?vento em popa?, em Alagoas. São nesses locais onde, em menos de 24 horas, logo após o roubo, o carro é depenado. Enquanto o dono do veículo, ainda aturdido, toma providências e aciona a polícia, seu carro é rapidamente desmanchado com a participação de mecânicos experientes cooptados pelo crime. Os itens retirados, segundo a polícia, seguem para o mercado de peças usadas de Maceió, no qual mais da metade dos produtos comercializados, conforme afirma o delegado de Roubos e Furtos de Veículos, Alcides Andrade, é proveniente de carros roubados. ### Rotas alternativas são usadas por bandos Nas estradas esburacadas que cortam a extensa área de canaviais e traçam um complexo labirinto, na região metropolitana de Maceió, veículos depenados e usados em assaltos são abandonados. A prática é conhecida por todos que por algum motivo trafegam por ali. Desde policiais militares, que se arriscam em rondas até seguranças de usinas, obrigados a conviver com os ?profissionais? do desmanche. ?De vez em quando, nós nos deparamos com eles [os assaltantes]. Um dia desses, me deparei com um grupo retirando as peças de um carro. Eu estava de moto. Um deles me ameaçou e disse para eu ficar caladinho, não contar a ninguém?, contou o vigilante de uma usina, que pediu para não ter o nome revelado. ### Ladrões dominam periferia de Maceió A bordo de uma viatura da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), a equipe da Gazeta percorreu, na manhã da última quinta-feira, um dos trechos mais perigosos de Maceió. A missão era localizar um cemitério de veículos descobertos por policiais da 3ª Companhia Independente de Paripueira, no último dia 24. A área verde situada entre os bairros do Benedito Bentes e de Guaxuma, na parte alta da cidade, é famosa no meio policial pela quantidade de assaltos, pelas desovas de cadáveres e pela proliferação de cemitérios de carros ?desmanchados?. Nenhum morador da região ousa falar nos cemitérios clandestinos. Todos temem dar informações e virar alvo dos bandidos, que sempre estão na região. ?Esse moradores sabem de tudo, mas não passam informações de maneira nenhuma?, diz o policial Amaro do Nascimento, que acompanhava a equipe de reportagem. ### Peças roubadas são vendidas em lojas O delegado Alcides Andrade, da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, afirmou que mais de 50% das peças vendidas em ferros-velhos e lojas de autopeças de Maceió são provenientes de carros roubados e furtados, que são desmanchados em cemitérios de veículos e em oficinas mecânicas. ?Este mercado de peças está de vento em popa?, afirma o delegado. Segundo ele, as peças são ?esquentadas? por notas frias adquiridas no mercado negro. ?Essas peças abastecem as lojas de autopeças de fachada e são vendidas a donos de veículos desavisados?, diz Andrade, que, embora admita o crescimento do roubo de veículos, rechaça a expressão ?cemitério de carros?. ?Na verdade temos locais que propiciam essa prática, como o Benedito Bentes, mas não é algo usual?, diz ele. ///