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Vida bandida em redutos de muito luxo

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Carro do ano, roupa de grife, TV de plasma no quarto e pistola na mão. Dentro de casa, um ?filhinho de papai?. Do lado de fora, um bandido, ladrão, assaltante. A dupla personalidade se revela ao atravessar o portão do condomínio de luxo. Ao chegar na rua, a identidade secreta aparece de forma brutal, contra funcionários de lojas chiques, postos de combustíveis ou pontos comerciais na área nobre de Maceió. Só este ano, o 2º Distrito Policial (DP) registrou quase 90 inquéritos envolvendo jovens de classe média ou com alto poder aquisitivo. O número equivale a 30% das 290 ocorrências que chegaram à delegacia responsável por investigações de crimes cometidos em bairros como Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca e Mangabeiras, além do loteamento Stella Maris. ### ?Com licença! É um assalto! Obrigado!? Até o modo de assaltar destes meninos ?nascidos em berço de ouro? é diferente. Eles dizem ?por favor, com licença e obrigado?, alternando a gentileza com ordens de comando como ?isso é um assalto?, ?passe tudo o que tiver no caixa? ou ?cale a boca senão você morre?. Testemunhas relatam que eles agem com calma e frieza, mas se for necessário partem para a agressão. A delegada Ana Luiza Nogueira confirma o perfil diferenciado dessas quadrilhas. ?As vítimas declaram que eles têm um jeito educado de se expressar, executam o crime com características próprias e peculiaridades que demonstram um comportamento mais social?, revela. ### ?Cliente selecionado com preconceito? A gerente de uma das lojas de moda masculina mais caras de Maceió admite que o preconceito é um critério adotado para decidir quem entra ou é barrado no estabelecimento. A porta de vidro fica fechada e os funcionários são orientados a identificar se a pessoa que quer entrar tem o perfil de cliente da boutique. Questionada sobre quais os critérios para analisar este perfil, a gerente disse que deve observar os modos de se vestir e a aparência. ?A gente identifica com um pouco de preconceito mesmo?, explica a mulher, que só concordou em dar entrevista após ter certeza que nem ela nem a loja seriam identificadas na reportagem. Até uma película fumê foi colocada para que o funcionário observe o visitante sem ser visto. ### Pagaram a bebida e levaram R$ 30 mil Os cinco integrantes da quadrilha que assaltou o posto de combustíveis OK, próximo ao Bompreço da Pajuçara não levantaram nenhuma suspeita. Três deles ainda entraram na loja de conveniência, tomaram refrigerantes e pagaram a conta, um ficou numa moto abastecendo e o outro ficou num Siena Verde a poucos metros de distância, para dar cobertura e garantir a fuga. Toda essa movimentação aconteceu no último dia 3, mas o assalto em si começou às 8h50 e durou menos do que três minutos. A quadrilha nem quis levar nada da loja de conveniência porque o objetivo maior era invadir o escritório do posto. Como era segunda-feira, os rapazes sabiam que lá estava guardado todo o apurado do fim de semana. ### Quando a família produz delinquentes O que leva o jovem com uma boa condição financeira, vindo de uma família economicamente estável, a enveredar pelo mundo do crime? Para o psicólogo Franklin Bezerra, um dos motivos é a desintegração da família e da dinâmica afetiva. ?Eles não tiveram a oportunidade de receber limites, são destituídos de afeto e fazem de tudo para chamar a atenção numa sociedade que valoriza quem exibe poder e objetos caros?, explica o especialista em psicologia clínica e jurídica. Para ilustrar como a indiferença dos pais é nociva, o psicólogo lembra os adolescentes de 13 e 14 anos que atiraram em vários colegas na cidade americana de Columbine. ///

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