Polícia
Viol�ncia: uma epidemia fora de controle
ANA MÁRCIA Para os estudiosos do fenômeno e as pessoas que atendem a multidão vitimizada, a violência é hoje uma epidemia fora de controle. Alguns fatores contribuem para o problema de saúde pública: banalização televisiva da violência, crença da impunidade, exclusão social e falta de decisão política governamental. O secretário de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, Claudio Duarte, compara a explosão da violência urbana à Guerra do Vietnã. ?É um Vietnã e meio a cada ano e isso exige medidas amplas, que estamos tomando, ao tratarmos o problema da violência como uma questão de saúde pública, há mais de cinco anos?, diz Claudio Duarte. Na sua opinião, os resultados são lentos pela complexidade da questão que envolve mudanças socioeconômicas e culturais e requer políticas públicas articuladas. Em maio do ano passado, o Ministério da Saúde publicou em portaria, uma Política Nacional de Redução de Morbimortalidade por Acidentes e Violência. Ações Dentre as medidas do governo para combater o avanço dos índices estão a implantação do Código de Trânsito Brasileiro (1998), o lançamento do Plano Nacional de Segurança Pública (200) e a ação do Gabinete de Segurança Institucional em áreas de risco das regiões metropolitanas (2000). Todas elas foram tomadas nos últimos quatro anos, quando a violência surgiu como a segunda causa de morte no País (só atrás de doenças circulatórias). A Política de Redução de Morbimortalidade, continua o secretário, é mais um desses instrumentos. Lançada em maio, ela prevê as seguintes diretrizes: 1) treinamento do pessoal da saúde para a melhoria do sistema de informações sobre acidentes e agressões com o objetivo de identificar os fatores de riscos; 2) padronização e integração dos sistemas de atendimento pré-hospitalar, com a criação de currículo padronizado para a formação desses profissionais; 3) garantia do atendimento interdisciplinar às vítimas (médico, jurídico, psicológico, social etc.); 4) instituição de normas nacionais para a reabilitação das vítimas e de suas famílias; 5) apoio a pesquisas sobre violência para que sejam identificadas as intervenções adequadas; 6) integração nacional dos sistemas de informação policial; 7) promoção de medidas destinadas a melhorar a segurança no trânsito e inclusão desses assuntos nos conteúdos escolares.