Polícia
Plano seria realizado por chefe de equipe
O plano para assaltar a Caixa Econômica da Rua do Sol jamais seria executado sem o chefe da equipe do carro-forte, Alexandre dos Santos Leandro, e o segurança da agência da Caixa da Rua do Sol, Flávio Gomes Santos. Não só as informações privilegiadas motivaram a quadrilha a escolher o alvo, como a sabotagem deles garantiu a entrada dos bandidos armados na agência e o acesso ao cofre. Em entrevista exclusiva à Gazeta, o diretor da Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic) da Polícia Civil, delegado Paulo Cerqueira, conta pela primeira vez alguns detalhes da participação dos seguranças no latrocínio (matar para roubar) da Caixa. ?O Flávio estava no carro-forte na função de fiel, o homem que fica com a responsabilidade da chave, comanda a equipe e sabe o valor transportado?. ### Trabalho desperta interesse de jovens As oportunidades no mercado de trabalho e a vocação para atuar como seguranças atraem um verdadeiro exército de jovens dispostos a enfrentar os perigos da profissão. Uma tropa que não para de crescer. Uma das escolas para formação e aperfeiçoamento deste pessoal em Maceió, a Security, forma uma média de 600 novos vigilantes por ano. Segundo o sócio-diretor da empresa, Daniel Saraiva Evaristo, o novo perfil destes alunos se destaca pelo nível de escolaridade. ?A lei exige a 4ª série, no mínimo, mas quase todos agora têm o segundo grau completo?. A média de idade da turma varia dos 21 aos 30 anos e a altura deles fica entre 1,70m e 1,80m. Quando se formam vigilantes, os salários oscilam entre R$ 600 e R$ 800, mas podem aumentar de acordo com o aperfeiçoamento do profissional. ### Profissionais da área vivem uma verdadeira guerra diária O relato de um segurança de transportes de valores que tem medo de se identificar revela o clima de guerra em que vivem os profissionais dessa área em Alagoas. ?Desconfio de tudo, de todo mundo que trabalha comigo, que passa o dia ao meu lado. Até a sombra da pessoa a gente tem de ficar de olho?, conta o vigilante que atua com carro-forte há oito anos e até já se afastou do serviço por causa de um trauma. Ele estava dentro do veículo que sofreu o mais violento assalto desse tipo já registrado em Alagoas. Em 2003, uma quadrilha atacou o carro-forte onde este segurança estava com uma metralhadora ponto 50, artilharia anti-aérea, colocada na traseira de uma caminhonete. ///