Polícia
Viol�ncia amea�a ensino nas escolas
Enquanto armas e drogas ocupam o lugar dos livros nas escolas públicas, um esboço de reação à violência começa a tomar corpo em Maceió. Um plano de emergência foi adotado esta semana, com o reforço do policiamento ostensivo, rondas e abordagens da Polícia Militar, aumento do efetivo da Guarda Municipal e contratação de porteiros para impedir a entrada de marginais. Professores, funcionários e alunos se engajam em ações e debates com órgãos públicos para levantar a bandeira branca nas unidades que registram agressões, assaltos, assassinatos, tráfico de drogas e todo tipo de vandalismo. Na última terça-feira, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos, Segurança Comunitária e Cidadania (Semdisc) e a Secretaria Municipal de Educação (Semed) realizaram pela primeira vez uma consulta pública sobre a violência com diretores das 128 escolas de Maceió. ### Plano tenta usar comunidade para mudar realidade A partir do Plano Maceió Mais Segura, a Semdisc pretende transformar pessoas da comunidade em protagonistas, envolvendo-os com a educação de jovens e adultos, atividades de lazer, ampliação do Programa de Saúde da Família (PSF), criando alternativas culturais e trazendo, enfim, o acesso às políticas públicas. Mas o caminho a percorrer é longo. Enquanto isso, a assistente social Christine Laci relata o homicídio de um aluno do Projovem na saída da Escola Geruza Costa, no Jacintinho. ?Foi queima de arquivo, ele tinha testemunhado um assassinato e ia prestar depoimento?, aponta Christine, destacando que não adianta só esperar pela polícia. ?A violência é estrutural, precisa haver mais emprego, saúde e educação para essas pessoas que já enfrentam outras formas de violência como a fome, o desemprego e a miséria?. ### Violência antecipa fim do ano letivo O ano letivo da Escola Municipal Maria José Carrascosa praticamente chegou ao fim, meses antes do previsto, numa sequência de fatos surpreendentes. O muro, as paredes e o telhado do ginásio foram quebrados. Todas as tardes, cerca de trinta homens invadem a escola e expulsam os alunos de educação física da quadra. Os banheiros são usados para o consumo de drogas e prática de sexo. Crianças se assustam quando entram e recebem convites para participar. Um grupo armado invade a fila da merenda para roubar comida. Segundo a diretora Maria Lúcia dos Santos, os agressores entram com facas, revólveres e outras armas. ### Cocheiras são usadas como salas de aula A beleza das palmeiras imperiais e do lago de patos disfarça os problemas existentes no local que já foi uma estrebaria e hoje amontoa alunos da Escola Manoel Pedro dos Santos e pacientes do posto de saúde do Santos Dumont. No lugar das cocheiras, foram erguidas salas de aula e consultórios médicos. Tudo devidamente pago para a Fundação Givaldo Carimbão, que recebe os aluguéis tanto da escola como do posto. O controle no portão de entrada não existe. Os alunos chegam e saem a qualquer hora, bem como todo tipo pessoa. Ladrões, traficantes e vândalos dizem que vão para o posto de saúde e, pronto, já estão dentro da escola para aprontar o que bem entenderem. No último dia 26, cinco rapazes entraram armados com o intuito de realizar um arrastão, três deles foram à cantina para assaltar a merenda da garotada. ### Selma Bandeira diminui os índices de violência A Escola Municipal Selma Bandeira já foi atacada, teve vários vidros quebrados, uma sala incendiada e fechou por uma semana a mando dos traficantes. Quatro meses após a implantação da polícia comunitária do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) como projeto-piloto, a cultura da paz começa a mostrar seus primeiros sinais em meio aos tiroteios do Conjunto Selma Bandeira, no Benedito Bentes. A evasão escolar que já deixou 7 das 14 salas vazias por causa do medo é um bom termômetro para medir a redução do clima provocado pela violência. Hoje, já existem 13 salas em atividade constante. Ninguém melhor que as próprias crianças para falar sobre as mudanças na escola. Dos seis alunos com dez anos de idade entrevistados pela Gazeta, três já tiveram parentes assassinados, os demais já viram alguém morrer ou se esconderam de tiroteios. ///