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Traficantes dominam grotas de Macei�

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A grota tem mil olhos. De cima para baixo, tudo se vê. Por trás da porta, pela fresta da janela, a cena chama atenção: três homens armados arrastam um corpo que sangra e jogam no meio da rua. A grota tem mil ouvidos. Os tiros ecoam por becos, barracos e escadarias. Por um instante, silêncio total, a grota se cala. Um homem morre, outro grita: ?Aqui nessa área, policial não entra?. Os atiradores olham para cima, para todos os lados e, a passos lentos, voltam para casa, na mesma rua onde jaz o agente Geraldo Moura de Sá, 38 anos, infiltrado a serviço da Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (DRN). Nas grotas e favelas de Maceió, o ódio da polícia não é um sentimento exclusivo dos bandidos e se disfarça no medo. ?Aqui a polícia só entra para humilhar, bater e ameaçar?, protesta a recicladora de lixo Valdirene da Silva. ### Parte dos policiais teme enfrentar o poder do tráfico ?Eu é que não entro na grota, de cara limpa, com um revolvinho velho desse. Sou policial militar há 26 anos e estou rezando, contando os dias, para me aposentar?. O relato resume o sentimento de parte da tropa, mas envergonha companheiros que honram a farda em missões arriscadas. Esse contraste faz parte da rotina do Batalhão de Policiamento de Eventos (BPE). Com sede no Jacintinho, a unidade atende ocorrências em algumas das áreas mais perigosas de Maceió. Grota do Rafael, Grota do Moreira, Morro do Ari, Grota do Estrondo, Grota do Cigano, Grota do Peixoto são exemplos de locais de difícil acesso. ?Fazemos incursões diariamente em muitos trechos onde o policiamento só pode ser feito a pé?, informa o tenente Francis da Mota. ### Casos de ataques são recorrentes Mais um exemplo de que os ataques não partem apenas de traficantes aconteceu esta semana no Morro do Ari. ?Atendemos um chamado de Lei Maria da Penha (violência contra a mulher), prendemos o marido, mas surgiu outra ocorrência de som alto, que se transformou em desacato. De repente, estávamos sofrendo um ataque de um grupo de homens e mulheres?, diz o tenente Francis. Os casos de equipes atacadas a paus e pedras são recorrentes. Já houve até viaturas perfuradas por tiros que ninguém sabe de onde partiu. Os policiais sabem que o perigo não cessa quando saem da grota ou nos dias de folga. ### Ex-viciado é braço direito de traficante Sem a presença do Estado, o que vale é a lei do mais forte, a lei da sobrevivência imposta pelo cano do revólver e pelo tráfico de drogas. Foi assim com Cícero (nome fictício), que começou a fumar maconha com 11 anos e hoje, aos 27, é um dos homens de confiança do dono de uma das maiores bocas (local de venda de drogas) de Maceió. Após vigiar o trabalho da reportagem por quase duas horas, ele concordou em falar um pouco, sob a condição de não ter o nome, nem o local onde atua revelado. A brutalidade de quem só anda armado e já comandou assassinatos contrasta com lembranças infantis que o levaram a entrar no mundo do crime. ?Quando chegava no fim do ano, meus vizinhos sempre tinham uma roupa nova e mangavam da minha roupa, dos meus calçados, que eram velhos porque os meus pais trabalhavam como catadores de sururu e nunca tinham dinheiro?, recorda Cícero, que hoje se diz orgulhoso ao comprar um tênis novo e ver que os filhos não passam fome. ### Popô: ?O que falta aqui é oportunidade? A fumaça que entorpece atiça a violência. ?Não cabe num livro a quantidade de amigos da gente que já morreram assassinados?, afirma Popô. Pai de três filhos com 5 anos, 2 anos e 6 meses, ele pede ajuda ao amigo Pelé, que se destaca na comunidade pelos trabalhos desenvolvidos no Ponto de Cultura Guerreiros da Vila. ?Em todo canto tem violência, mas o que falta aqui é oportunidade?, afirma Pelé. A presidente da Cooperativa dos Catadores da Vila Emater 2, Valdirene Silva, protesta quando ouve falar que os moradores da favela são violentos. ?Não existe violência maior do que a fome e a doença sem atendimento médico. O povo da vila é vítima, não é vilão. A polícia precisa entender isso?, diz a recicladora de lixo. ### Justiça concede alvará de soltura a acusado Dois dias após a progressão do regime, o mesmo juiz decidiu conceder o alvará de soltura a Rafael, já que o Estado de Alagoas não oferece estrutura para o cumprimento de pena no regime semiaberto. ?(...) o estabelecimento até então responsável por abrigar os reeducandos no presente regime ? Colônia Agroindustrial São Leonardo ? mostra-se com carência de estrutura, sem possibilidade de abrigar os mesmos, ocasionando ócio, a aquisição da droga e mesmo fuga em face de falta de fiscalização?, justifica o magistrado, lembrando que o São Leonardo está interditado por decisão dele próprio. ///

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