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Polícia

Crime brutal e com in�meros suspeitos

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A ponta da faca cravada no pescoço da procuradora aposentada do Estado de São Paulo e ex-delegada da Polícia Federal, Ana Shirley Macedo Falcão, esconde o mistério de um assassinato com muitos suspeitos. Um corretor de imóveis, um possível amante, caseiros, vizinhos e até parentes interessados na herança podem ter envolvimento com o crime. A polícia trabalha com a tese de latrocínio (homicídio relacionado a roubo) e quanto mais avança na investigação mais percebe nuances no perfil da aposentada que a transformou numa vítima em potencial. Rica, solteira, sem pais ou filhos, carente e depressiva. Ana Shirley morava em São Paulo e vivia as temporadas de verão, sozinha, no apartamento de luxo na Ponta Verde e na casa de praia de Sauaçuhy, em Ipioca, onde foi assassinada. Passaria Natal, réveillon e o aniversário de 61 anos dia 11 de janeiro provavelmente sem companhia, mas no local que dizia ter ?águas medicinais?. ### Vítima ia vender imóvel de R$ 400 mil Após ser questionado sobre o que fazia no apartamento do edifício Pascoal 1, no dia do crime, o corretor alegou que Ana Shirley também tinha colocado o apartamento de luxo à venda, contradizendo o relato do síndico. ?A cliente me deu as chaves e eu subi lá com meu sócio para fazer a avaliação do imóvel (cerca de R$ 400 mil). Ela disse que queria vendê-lo para comprar um menor?, garantiu. Ainda pelo que conta o corretor, a ex-delegada já tinha vendido um apartamento menor no Edifício São Francisco, há cerca de um mês, mas não teria recebido esse dinheiro (mais de R$ 100 mil). ?O negócio estava apalavrado, só que faltava ela chegar em Maceió para providenciar a documentação e efetuar o pagamento?. Ana Shirley tinha desembarcado no Estado mais de quinze dias antes de ser assassinada. ### Família apareceu depois da morte Isolada nos seus imóveis grandes e vazios, Ana Shirley Macedo Falcão só foi procurada pela família depois que morreu. Com o cadáver ainda na geladeira do IML, os parentes vindos de Aracaju (SE) e Itabuna (BA) queriam acionar um chaveiro para entrar no apartamento de luxo da Ponta Verde, sob o pretexto de procurar um comprovante do plano funerário que cobrisse as despesas com velório e enterro. Foram barrados pelo síndico. ?Isso só com ordem expressa da polícia ou da Justiça?. A prioridade dos primos em fazer o inventário dos bens e descobrir se existia um testamento era notória. Já as despesas com traslado do corpo de avião e sepultamento em São Paulo ? ou outro Estado onde ela tinha parentes ? foram descartadas. O singelo enterro numa cova rasa do cemitério São José foi marcado pelo encontro de primos que não se conheciam, inclusive alguns com trajes de banho por baixo da roupa. ### OAB cobra empenho na solução do caso A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL) cobra empenho da polícia para elucidar o mistério, apelo reforçado pela própria cúpula da Polícia Civil. O delegado-geral Marcílio Barenco enfatiza que, pelos primeiros levantamentos, o caso aponta para latrocínio porque levaram pertences da vítima. Segundo Barenco, a prioridade é saber quem era esse rapaz do retrato-falado, checar se mais alguém o viu e até mesmo se ele foi ?plantado?, introduzido ao convívio da vítima por uma quadrilha que planejava o crime. ///

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