Polícia
Deic prende quadrilha no interior
Crianças vendem crack, usam armas para cobrar dívidas e ajudam a matar viciados devedores. Tudo isso na paradisíaca Barra de São Miguel. Enquanto alagoanos e turistas procuram o melhor balneário do Estado para relaxar, o tráfico de drogas impõe um destino cruel, comparável ao de morros cariocas. O problema foi revelado ontem durante a prisão da maior quadrilha de traficantes que age no município e em boa parte do Litoral Sul. Durante a apresentação dos presos, o diretor da Divisão de Investigações e Capturas (Deic), delegado Paulo Cerqueira, explicou que os garotos atuam como olheiros, vendedores, cobradores ou até ?soldados?. ?Eles entregam armas para as crianças fazerem as cobranças?, detalhou Cerqueira. A gangue comandada por uma família também se vale do reforço mirim para se esquivar das investidas policiais. Alguns meninos e meninas, inclusive, são parentes dos traficantes. ### Grupo é suspeito em 4 assassinatos Pelo menos quatro assassinatos, por cobrança de dívidas, são atribuídos à quadrilha, que atuava em Barra de São Miguel, Roteiro, Marechal Deodoro, Praia do Francês, Jequiá da Praia e Coruripe. Crianças podem ter participado das execuções, direta ou indiretamente. Uma fonte na polícia revela que os pequenos comparsas apontam para os chefes da quadrilha quem são os consumidores que não quitam os débitos. Um dos executados, Luciano José Barbosa, foi morto em Chã do Pilar. Os outros três, que tombaram na Barra de São Miguel, são Edilson Trindade, José Edevaldo e Givanildo José dos Santos. Apesar das acusações, Didi (Laudemir da Silva) alega inocência. ?Nunca fui pego com droga nenhuma, nem com uma semente, apreenderam apenas uma arma comigo?. O acusado admite que já cometeu um assassinato, mas para se defender. ?Matei um elemento, um pistoleiro chamado Mário que matou meu primo e disse que ia me matar?. ///