Polícia
Aprendizes substituem policiais militares
Centro Integrado de Operações de Defesa Social, Ciods: base operacional da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros em Maceió. A unidade é responsável por atender ocorrências da capital e região metropolitana, ?de Barra a Barra?, como diz a expressão comum entre os militares, que se referem à área compreendida entre a Barra de São Miguel, Litoral Sul, e a Barra de Santo Antônio, Litoral Norte. Em uma das salas do local, sessenta militares se revezam para receber cerca de 10 mil ligações diárias direcionadas para os conhecidos números 190 e 193. A partir de março, esses mesmos policiais devem deixar seus postos no ?call center? e partir para o outro lado da linha telefônica, de onde são solicitados os socorros. São os trabalhos mais árduos, nas ruas da cidade. O primeiro contato direto com a população passará, então, a ser feito basicamente por jovens, garotos e garotas, com idade entre 18 e 22 anos, moradores de bairros considerados os mais violentos pela própria PM: Jacintinho, Vergel do Lago, Benedito Bentes, Clima Bom, Feitosa, Ponta Grossa, Bom Parto, Fernão Velho. ### ?Primeiro emprego é na polícia? Foi o sonho de conquistar o primeiro emprego que fez o estudante Everton Mota, de 18 anos, insistir para a mãe procurar o Soprobem e inscrevê-lo para a seleção do projeto Jovem Aprendiz. Até então, a vontade de trabalhar não incluía um posto em qualquer corporação militar. Quando soube que o primeiro emprego da vida seria no Ciods, veio o susto. ?Eu parei na hora e fiz: ?Eita, é na polícia!?. Mas depois me tranquilizei, vai ser um trabalho de teleatendimento como outro qualquer?, lembra. ### Major garante segurança dos garotos Everton do Bom Parto, Samiri do Clima Bom. Bairros onde a presença da Polícia Militar não é bem-vinda por aqueles que mantêm em alta o tráfico de drogas e o número de homicídios e outros crimes. E a segurança dos 60 jovens aprendizes? Está de alguma forma comprometida com os serviços que serão em breve prestados ao Ciods ? Para o chefe do centro operacional, major Moisés do Nascimento, a resposta é ?não?. ?Embora sejam serviços para a Secretaria de Defesa Social, eles não vão se transformar em polícia. Vai ser um trabalho de teleatendimento como outro qualquer, como para uma empresa de telefonia, por exemplo?, avalia o major. ### ?Governo quer tapar o sol com peneira? O soldado Jorge Araújo, de 27 anos, três destes dedicados à Polícia Militar de Alagoas, é um dos que voltarão para o trabalho de patrulha em Maceió, com a chegada dos integrantes do Soprobem. Com uma experiência inicial de seis meses na Cavalaria da corporação, ele acredita que sair do teleatendimento será uma mudança e tanto na carreira. ?Serviço de rua é imprevisível. Aqui, internamente, você não fica tão exposto. Mas o nosso curso policial forneceu a preparação necessária?, diz. Mas nem 60 policiais nas ruas, nem viaturas com GPS. Para representantes das associações da classe militar, nem uma coisa nem outra resolve os problemas da segurança pública em Alagoas, que passam pela quantidade precária do efetivo e pelo grande número de policiais trabalhando em assessorias militares de órgãos públicos. De acordo com dados do Comando de Policiamento da Capital, o estado possui hoje 7.120 policiais militares, dos quais 3.100 estão na região metropolitana de Maceió. Um número ainda muito distante do ideal: cerca de 16 mil para atender os quase dois milhões de habitantes de Alagoas. ///