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Pol�cia alagoana entra na era da ci�ncia

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As cenas de seriados da TV americana que usam a ciência para resolver crimes, como CSI Miami, são um pouco exageradas e parecem algo bem distante para a polícia alagoana. Só que um convênio entre a Secretaria de Defesa Social (SDS) e o laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) pode ajudar a resolver casos misteriosos, através dos fios de cabelo do assaltante, do sêmen do estuprador, da impressão digital do assassino ou mesmo da saliva deixada por um suspeito ao tomar uma xícara de café. O objetivo principal do projeto assinado no último mês de dezembro é finalmente implantar o Banco de Dados de DNA de Pessoas Desaparecidas, criado há quase quatro anos pelo laboratório e nunca posto em prática. Agora com o apoio do aparato da segurança pública do Estado, este banco deve armazenar todo o material genético de pessoas enterradas como indigentes e ossadas encontradas em áreas de desova para cruzar com o DNA coletado de parentes de pessoas desaparecidas. ### Banco de dados acabará com exumações A exumação indiscriminada de pessoas enterradas como indigentes no Cemitério Divina Pastora deve virar coisa do passado com a implantação do banco de dados. O que não faltam são mandados judiciais para desenterrar cadáveres, a pedido de pessoas a procura de parentes desaparecidos. O mais recente deles chamou a atenção, no último mês de dezembro, quando 34 corpos foram exumados em busca de Carlos Roberto Rocha Santos, sequestrado e assassinado em 2004. Para o geneticista Luiz Antônio, estas buscas desesperadas estão com os dias contados. ?O Divina Pastora será uma página virada na história de Alagoas?, afirma o professor, destacando a importância social do projeto que dará o direito às pessoas de encontrarem e enterrarem seus entes queridos. Isso porque, garante o cientista, não haverá mais o enterro de indigentes sem o armazenamento de amostras que possam identificá-lo. ### Famílias deverão minimizar angústia A diretora do Centro de Perícias Forenses (CPFor) , Ana Márcia Nunes, evidencia, antes de tudo, o papel social do convênio. ?O Estado dá a oportunidade da família minimizar a angústia, a dor, o sofrimento; as pessoas vão ter o direito de saber o que ocorreu?. Para Ana Márcia, essa humanização é o ponto forte da parceria com o laboratório de DNA que oferece subsídios para a produção de provas em crimes de difícil solução. Ao lado dela, a diretora do Instituto de Criminalística (IC), Rosana Coutinho, atesta o sofrimento de quem um dia notou que a pessoa querida tinha sumido. ?Os familiares chegam aqui arrasados, como uma mãe que me disse assim: ?Eu só queria enterrar meu filho para ir embora de onde eu moro logo??. Além do trauma da dúvida se o filho tinha morrido mesmo, esta mãe também tinha medo de ser assassinada pelos algozes do rebento. ///

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