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Viol�ncia invade os assentamentos

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Maragogi ? Quando o sono não chegava, o agricultor Antônio Manoel da Silva, 75 anos, costumava passear pela agrovila do Assentamento Itabaiana, em Maragogi, a contar carneirinhos. A brisa a soprar no rosto sulcado e o clima de total tranquilidade, mesmo de madrugada, o faziam voltar para a cama e adormecer. Mas o pesadelo da violência chegou aos rincões da reforma agrária. Os trabalhadores rurais se fecham em casa com medo dos assaltantes, que encontraram no isolamento da vasta zona rural a terra ideal para fincar as raízes do crime. Muitos, já pensam em desistir, largar o lote e procurar outro meio de vida. ?Antes era uma tranquilidade só. No dia que fazia muito calor, eu abria as portas e as janelas. Hoje, tudo fica fechado. Faz medo, e muito?, confessou seu Antônio, que na manhã de quarta-feira (24) conversava no alpendre da casa do vizinho, Heleno Ramos, 67. ?Isso (violência) vem de uns dois, três anos pra cá?, completou Heleno. A Gazeta apurou que só este ano foram registrados, ao menos, sete assaltos nas estradas que cortam os assentamentos Itabaiana, Massangana, Santa Rita e Buenos Aires. ### Assaltos mudam rotina do trabalhador Maragogi ? A violência que se espraiou pelos assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Maragogi mudou a rotina não só dos agricultores, mas também de profissionais que circulam pela zona rural oferecendo produtos e serviços. No distrito de Peroba, a margem da AL-101 Norte, onde começa a estrada vicinal que corta os assentamentos, fica o ponto central dos mototaxistas. São 24 profissionais que oferecem o serviço de transporte. Noventa por cento das viagens são feitas para dentro dos assentamentos, por entre estradas tortuosas de barro e lama. Recentemente, um obstáculo ainda mais perigoso atravessou o caminho desses destemidos trabalhadores: a bandidagem. ### Violência expulsa assentados do campo Maragogi ? O presidente do Assentamento Massangana, Manoel Antônio Camelo Correia, 36 anos, vive atormentado por causa da violência. Pôs um portão de ferro na entrada de casa e fechou completamente a cozinha, onde costumava fazer as refeições ao ar livre, reunindo toda a família em volta da mesa farta. Ele confirma que a criminalidade está expulsando os agricultores do campo. ?Alguns já foram embora e muitos estão colocando os lotes à venda. Toda semana temos assaltos aqui?, desabafou Maninho, como é conhecido. ///

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