Polícia
Testemunha de crime retira acusa��es
A principal testemunha do caso Fábio Acioli mudou os depoimentos prestados à polícia e à Justiça e retirou a acusação que poderia incriminar um conhecido empresário de Alagoas como autor intelectual do crime. Na audiência iniciada quarta-feira, o garçom Marco Aurélio ainda voltou a declarar, com todas as letras, que este empresário tinha mandado matar o estudante, confirmando o que tinha antecipado no inquérito policial. Diante da denúncia, o juiz Geraldo Amorim intimou imediatamente o homem acusado para uma acareação com o garçom. Este foi um dos principais motivos para a sessão de interrogatórios se prolongar por quase 25 horas na 9ª Vara Criminal. Mas quando a testemunha ficou frente a frente com o acusado, simplesmente retirou quase tudo que tinha dito momentos antes e pediu desculpas. ### Crime continua sem autoria intelectual O mistério em torno da morte de Fábio, o que realmente aconteceu, qual o motivo do crime e quem teria interesse em matá-lo fica maior com a mudança de depoimento do garçom. A lembrança dos fatos registrados no dia 11 de agosto de 2009, quando o estudante foi sequestrado, torturado e queimado vivo, é chocante não só pela brutalidade e covardia do ataque, mas também pelo fantasma da impunidade que volta a rondar o episódio. ?Vocês da imprensa já pensaram que pode não haver um autor intelectual??, indaga o promotor da 9ª Vara Criminal, José Antônio Malta Marques. ?Aí é que está. Será que houve um mandante? Neste momento, nem ao menos pode-se afirmar, com certeza, se houve um mandante ou não?, sugere Lucy Mônica, uma das três delegadas responsáveis pela investigação. ### Advogado faz críticas ao inquérito policial O advogado da família classifica o inquérito policial como bastante deficiente e com várias falhas. ?A mais grave delas é a divergência quanto ao horário em que Fábio foi visto pela última vez. Naquele dia, um contato informou que ele teria ido à Cultura Inglesa, parece que teria uma prova lá, mas nos autos não consta essa informação, seja com uma gravação do circuito interno, um documento da escola ou qualquer comprovação oficial?. Para Falcão, o resultado do inquérito está comprometido por causa de falhas como essa. Apesar de evitar falar na existência de um mandante, o assistente de acusação descarta a possibilidade de latrocínio, ou seja, da morte ter sido consequência de um assalto (latrocínio). ?É um crime com característica de encomenda, quem sai para fazer um assalto não leva combustível inflamável?. ### Promotor desconfia da versão do garçom O Ministério Público aposta em outra mudança de depoimento para desvendar o mistério. O promotor José Antônio Malta Marques desconfia da versão apresentada pelo acusado Cícero Rafael de França e acredita que a oferta do benefício da delação premiada pode fazê-lo contar a verdade e provocar uma reviravolta no caso. ?A nossa expectativa é que ele possa abrir o jogo, dizer tudo o que realmente sabe, se fizer isso, inclusive, ele pode até ser solto mais rápido por causa da delação premiada?. Cícero Rafael foi visto com Fábio Acioli numa mesa do Beto?s Bar, momentos antes do crime. De acordo com o garçom Marco Aurélio, que trabalhava no bar naquela noite, os dois teriam seguido no carro de Fábio até o coqueiral de Cruz das Almas. Chegando lá, os dois teriam descido para namorar e foram surpreendidos por dois homens armados. ///