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Justi�a est� a 30 dias dos culpados

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Dez meses. O tempo que se passou desde a morte do universitário Fábio Acioli Souza Costa, de 21 anos, não foi suficiente para esclarecer os mistérios que rondam o crime. Pelo menos não para quem está do lado de fora das salas onde são realizadas as audiências judiciais. Hoje, depois de tantas divergências e contradições entre depoimentos, acareação questionada e tentativas de proteger a vida privada de ?pessoas que têm o nome formado na sociedade?, as perguntas continuam as mesmas: quem matou Fábio Acioli? Quem mandou matá-lo? Houve um autor intelectual para o crime? O que está por trás de um caso mantido sob segredo de Justiça? Hoje, dez meses depois, as respostas são muitas pelos corredores. Oficialmente, não há praticamente nenhuma. Mas, para o Ministério Público Estadual, o processo está próximo do fim. Nos próximos 30 dias, segundo o promotor de Justiça atuante no caso, José Antônio Malta Marques, ?fatos novos? podem esclarecer de vez o que realmente aconteceu naquele 11 de agosto de 2009, dia em que Fábio Acioli foi raptado, torturado e queimado vivo, morrendo 17 dias depois, em decorrência das queimaduras, que atingiram mais de 75% do seu corpo. Caso gera silêncio perturbador Duas coisas são particularmente espinhosas no processo que investiga o que se acostumou chamar de ?Caso Fábio Acioli?. Primeiro, a hipótese, levantada pelo inquérito policial, de que esse tenha sido um crime com motivação passional. Segundo, que o possível crime passional tenha sido tramado por um homem influente na sociedade alagoana. Se, isoladamente, cada uma dessas hipóteses já poderia perturbar os envolvidos no caso, juntas elas provocam o um silêncio ainda mais perturbador. Sob risco de serem penalizados por divulgar o que se passa em um processo encaminhado sob segredo de Justiça, advogados e membros da Justiça, da Defensoria Pública e do Ministério Público estaduais não revelam detalhes de depoimentos, acareações, interrogatórios e provas apresentadas durante as audiências. Alguns sequer citam nomes de pessoas envolvidas no processo. Reconstituição é aguardada Requerida pelo Ministério Público Estadual, a Reprodução Simulada dos Fatos (ou a reconstituição do crime), marcada para a próxima terça-feira (4), é aguardada com ansiedade por quem espera respostas sobre a morte de Fabio Acioli. Embora nenhum dos envolvidos seja obrigado a participar do procedimento, até agora todos mantém o interesse de fazê-lo, na expectativa de que possam provar que dizem a verdade. A reconstituição será realizada em pelo menos quatro locais distintos: na saída da escola onde Fábio estudava quando saiu para se encontrar com um dos acusados, Cícero Rafael de França; na região do bar, em Cruz das Almas, onde Fábio se encontrou com Cícero e foi raptado no porta-malas do carro que dirigia; no canavial, no Benedito Bentes, onde o estudante foi torturado e queimado, e, finalmente, onde o carro dirigido por Fábio foi encontrado, também no Benedito Bentes. Delegadas indiciam 3 acusados no caso No inquérito policial, as delegadas Lucy Mônica, Fabiana Leão e Rebecca Cordeiro indiciaram três homens como acusados pela morte de Fábio Acioli: Carlos Eduardo Souza e Wanderley do Nascimento Ferreira seriam os executores e Cícero Rafael de França, de 49 anos, e suposto garoto de programa, teria atraído a vítima para o local onde foi raptada para, posteriormente, ser torturada e queimada viva. Além disso, o inquérito pôs à disposição da Justiça uma testemunha cujas afirmações apontavam como possível autor intelectual do crime um poderoso empresário do ramo imobiliário alagoano. A testemunha, o garçom Marco Aurélio, está integrada ao Programa de Proteção a Testemunhas (Provita), do governo federal, e manteve em uma primeira audiência judicial o que afirmara no inquérito.

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