Polícia
Rodovia � alvo de ladr�es de cargas
A maior rodovia do País, a BR-101, é o habitat preferido de ladrões de cargas em Alagoas. O relevo acidentado, cheio de subidas, facilita a abordagem das quadrilhas, em busca de cargas valiosas, que podem render R$ 500 mil, R$ 600 mil e têm compradores certos. Inúmeros esquemas com receptadores funcionam em cidades das redondezas, como Arapiraca, Santana do Ipanema, Boca da Mata, Anadia e Tanque d?Arca, ou de Estados vizinhos, como Caruaru (PE). A grande quantidade de rotas de fuga em canaviais, trechos de matas e outras rodovias estimulam os assaltantes ainda mais. No ano passado, o trecho da rodovia entre os municípios de São Sebastião e São Miguel dos Campos foi considerado pela direção nacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF) como um dos mais violentos do País. A ponto de o povoado de Luziápolis, em Campo Alegre, ter se tornado alvo de uma megaoperação, que contou com helicóptero, dezenas de viaturas e cerca de 260 policiais rodoviários enviados de onze Estados para prender um dos maiores bandos que agia na região. Conivência de caminhoneiro facilita ação Nem todo roubo de carga na estrada depende de assaltantes armados, dirigindo carros potentes em alta velocidade. Muitas vezes, o extravio da mercadoria acontece com a conivência do próprio carreteiro ou caminhoneiro, que simplesmente encostam em alguma área combinada para descarregar junto com os cúmplices que o aguardavam. É o caso clássico de furto, que envolve principalmente cimento, adubo e outros produtos vendidos a granel. Os motoristas negociam até 1% da carga, quantidade normalmente dispensada pelas empresas, como cota de perda durante o transporte. Como gerente do Tigre, que atua com o serviço de inteligência da Polícia Civil, o policial Alfredo Presser conhece bem as artimanhas dessas quadrilhas. Ação de quadrilha começa com olheiros A ação das quadrilhas começa com os olheiros, quase sempre de plantão, já no posto fiscal de Porto Real do Colégio, onde há uma grande concentração de caminhões e carretas que estacionam para informar a carga transportada. ?Os olheiros podem ser prostitutas, vendedores ambulantes, mecânicos, borracheiros, frentistas, o pessoal que oferece serviços e, na verdade, só está de olho para informar aos assaltantes sobre o material levado?, explica o gerente do Tigre, Alfredo Presser. Por isso, o caminhoneiro não deve conversar sobre a carga com ninguém, a não ser o fiscal. Mesmo assim, há casos de fiscais envolvidos que dão a pista para os comparsas. ?Se o cara já chegar gritando ?ô do pneu, ô do cimento? para todo mundo ouvir, é melhor ficar desconfiado e não sair de bobeira?, orienta. Presser também destaca que o ideal é evitar transitar à noite, quando ocorrem quase todos os assaltos, e, se possível, andar em comboio. ?Mas não precisa ser uma fila cerrada, tem que dar uma distância de uns 50 metros entre um veículo e outro, se não eles podem assaltar todos de uma vez?. Bandidos utilizam táticas para roubos Ao tempo em que a polícia avança, com o serviço de inteligência e novas táticas para os comandos, as quadrilhas também evoluem para garantir o sucesso dos assaltos. A principal tendência é a extinção dos galpões que servem de depósitos temporários para escoamento da carga roubada. Enquanto os bandidos executam o assalto, as equipes de receptadores já disponibilizam um caminhão vazio para receber as mercadorias. O inspetor Jota Edson, responsável pela 2ª Delegacia da PRF em Alagoas, explica que a estratégia agiliza o escoamento do roubo e dificulta os flagrantes. ?Logo após o roubo, eles levam a carreta para dentro do mato ou de um canavial, onde já tem outro veículo esperando para o transbordo. Fica mais difícil localizar a carga, porque ela não fica parada?.