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Revolta no enterro de pedreiro morto por policiais

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União dos Palmares ? A morte chegou de farda e coturno. A revolta foi carregada com o caixão pelas ruas de União dos Palmares. O pedreiro assassinado por policiais militares porque estava com o som alto foi tratado como mártir no cortejo que se transformou em passeata pelas ruas de União dos Palmares. Mais de 200 pessoas participaram do protesto, ontem pela manhã, que parou em frente ao Quartel da PM, ao Fórum e à delegacia da cidade. Os quatro policiais do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes) que espancaram até a morte José Antônio dos Santos, o Zezito, de 47 anos, na noite de segunda-feira, estão presos e foram afastados da função. Mas a prisão pode durar apenas três dias e se resume a um recolhimento (sem celas) no ambiente do próprio quartel onde eles trabalham. ?Polícia é para salvar, não matar? O sangue de José Antônio ainda gotejava do caixão pelas ruas de União dos Palmares, durante o protesto que saiu da casa dele, às 9h15, e chegou à frente do Batalhão da PM às 9h45. O povo gritava em coro: ?Polícia é para salvar, e não para matar? e mostrava o caixão para os militares que não escondiam o constrangimento. A passeata seguiu chamando a atenção da população e conquistando votos de solidariedade até chegar ao cemitério Campo Santo dos Palmares, no bairro das Cobras. ?A polícia não pode invadir a casa de um homem de bem e matar ele de porrada?, lamentava, desolado, o filho de Zezito, Rafael da Silva. ?O laudo do IML deu que ele estava com a perna quebrada, o braço e os ossos do rosto fraturados?, informa a filha, Adriana da Silva. O pedreiro vivia sozinho, desde a separação da esposa, mas deixou sete filhos. A vizinha Renata Guedes era uma das mais revoltadas no enterro. ?O som era do filho dele, mas era um ?esquenta grilo?, nem fazia zoada?.

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