Política
Emboscada deixa alagoanos sob suspeita em SE
Aracaju, SE ? Exatamente uma semana depois de ter sido o alvo de um atentado ocorrido no coração do mapa turístico da capital sergipana, que deixou em estado grave seu motorista, Jailton Batista Pereira, o desembargador Luiz Antônio Araújo Mendonça, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE/SE), concedeu entrevista exclusiva à Gazeta, na última quarta-feira (25), e disse ter renovado suas energias para trabalhar e fazer cumprir a lei. Rodeado por seguranças durante todo o tempo em que esteve com a reportagem em seu gabinete do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE), Mendonça garantiu não se sentir fragilizado diante da ação ousada do grupo de pistoleiros suspeito de ser liderado pelo alagoano Floro Calheiros Barbosa, foragido da Justiça sergipana. Apesar de o desembargador Luiz Mendonça e a Polícia Civil não admitirem que o criminoso alagoano está no foco das investigações, a estrutura de segurança deixou transparecer quase que uma convicção da participação de Floro Calheiros no atentado, ao praticamente considerar a equipe da Gazeta como ?suspeita? de tentar alguma aproximação do desembargador que pudesse colocá-lo em risco. O motivo colocado explicitamente pelas autoridades que realizaram duas revistas à reportagem era o fato de os profissionais serem ?alagoanos e desconhecidos?. Investigações miram Alagoas Enquanto a imprensa local tem praticamente certeza da participação de Floro Calheiros no atentado ao presidente do TRE, o desembargador adota a cautela ao tratar do assunto ? temendo ?cometer injustiça?. Já o delegado da Polícia Civil que preside o caso, Thiago Leandro Barbosa, afirma que a possível participação do alagoano é apenas uma das vertentes da investigação, que conta com a colaboração da Polícia Federal (PF), por meio do delegado Marcos Soares Custódio. ?Não podemos ?tendencionar? a investigação do caso para um fato, e no fim das contas ser outro. Porque pode ter sido outro desafeto dele, inclusive de Alagoas. Ele tem plantações de milho, pode também ser algum concorrente dele. Mas estamos em uma fase em que a investigação corre em sigilo absoluto?, disse o delegado. Desembargador fala sobre o atentado Aracaju, SE ? Na entrevista exclusiva concedida à Gazeta na última quarta-feira (25), o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE/SE), desembargador Luiz Mendonça, negou ter se abalado com a saraivada de tiros que quase o mata e deixou em estado grave seu motorista, Jailton Batista Pereira. Mas garantiu que o Poder Judiciário e a segurança pública não devem se fragilizar diante do que chamou de ?atentado contra o povo?. *** Gazeta ? Após este atentado que quase se torna fatal, como tem sido o seu cotidiano? Luiz Mendonça ? Olha, eu não tenho alterado muito a minha rotina de trabalho. O que alterou apenas é que eu, ao me dirigir ao Tribunal de Justiça e ao Tribunal Regional Eleitoral, eu tenho que sempre ir acompanhado de seguranças, por conta do atentado, que foi uma realidade, não é uma suposição nem uma ameaça. Ele ocorreu. Então, esta situação constrange um pouco, mas é necessária, naturalmente. Foi por este constrangimento que o senhor chegou a resistir a esta ideia de ser acompanhado por este aparato? A maioria das pessoas, normalmente, resiste a andar com aparato policial, embora a maioria [dos seguranças] são pessoas conhecidas minhas, amigas, em que eu confio plenamente. Mas entendemos também que a segurança pública é para todos. Ela não pode ser individualizada. Em casos extremos é que ocorre esta possibilidade. Mas nós nos sentimos desconfortáveis, principalmente porque, quando se está garantindo a segurança a uma pessoa, está fragilizando, lá na ponta, a segurança de algumas pessoas. Então isso já causa um desconforto, naturalmente. O ideal era que ninguém precisasse utilizar segurança. Mas a violência, ela ocorre. O senhor ficou temeroso com a forma como ocorreu este atentado? Eu atuo na área criminal, e sempre combati crimes com determinação, até para cumprir com fidelidade o juramento que prestei na qualidade de promotor de Justiça, de secretário de segurança pública, bem como na magistratura. Eu, estando na Câmara Criminal, a qual presido [no TJ], tenho que levar para a população um serviço que não demonstre temor algum com relação à bandidagem e à criminalidade. Porque, no momento em que o magistrado se fragiliza perante a criminalidade, ele está fragilizando a sociedade, o Estado de Direito, a democracia, a Justiça e está se fragilizando. Crimes praticados contra a Justiça, contra um desembargador que está apurando uma série de crimes, atentam contra tudo isso.