Política
Tempo integral em escola � improviso
A revelação despertou curiosidade por mostrar uma condição bem diferente da que se acostuma associar ao ensino público em Alagoas e ainda mais por informar o quanto essa realidade já estaria presente por aqui. Em guia eleitoral da última semana do segundo turno, programa da coligação Frente Pelo Bem de Alagoas, que teve como candidato o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), mostrou que em sua gestão o Estado implantou a Escola Tempo Integral e que, somente na capital, elas seriam 68. A proposta de uma escola em que os alunos passem o dia todo e tenham atividades que vão além da aula convencional é apontada como o ideal de ensino nessa etapa educacional. É defendida por todas as correntes de educadores, mas é mais lembrada como obra de Darcy Ribeiro, que a tornou realidade na década de 80, quando era secretário de Educação do Rio de Janeiro, sob a forma dos CIEPs. Unidade recebe R$ 0,60 por aluno O projeto ?Escola Tempo Integral? é mantido com recursos do governo federal e está vinculado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Como ocorre com a merenda escolar, há um valor repassado por cada aluno inscrito: R$ 0,60 por aluno/dia. Uma das escolas que executam o projeto em Maceió recebe R$ 1.560 por mês para manter o programa para 120 alunos. A diretora de Apoio à Gestão Escolar da Secretaria de Estado da Educação, Maridalva Campos, disse que o projeto consiste em ocupar os alunos no chamado contraturno, o período em que não estariam em sala de aula. Para os que estudam à tarde, as atividades extrassala ocorrem pela manhã e vice-versa e incluem esportes e oficinas de arte e cultura. Cada escola define sua programa, mas todas têm de oferecer dentro dessas atividades adicionais aulas de reforço em Matemática e Língua Portuguesa. Programa tem distorções, diz Sinteal Escolha das turmas é feita com base no desempenho escolar. Nelas, os professores identificam maiores dificuldades entre os alunos para poder suprir a carência Segundo a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), estaria aí uma das distorções da execução do programa em Alagoas. ?Entre o contraturno e o turno normal, os alunos inscritos no programa devem tomar um banho e receber almoço. Nesses momentos, eles têm de ser acompanhados por um monitor. A refeição deve ser preparada e servida por alguém contratado pelo programa. Mas o que tem acontecido é que estão usando a mão de obra da escola para suprir essa carência?, disse Consuelo Correia, vice-presidente do sindicato. ?Todos acabam se envolvendo. O pessoal de apoio dá uma ajuda na hora do banho dos alunos e as merendeiras ajudam na refeição?, disse a diretora de uma escola em que o programa é executado.