Política
Assassinato de sem-terra pode resultar em confrontos
Entre a tarde da quarta-feira (8) e a madrugada da quinta-feira (9), dois eventos violentos praticados contra trabalhadores rurais que lutam pela reforma agrária em Alagoas reforçaram os motivos de preocupação dos movimentos que há algumas semanas já alertavam o poder público para o clima de insegurança e de risco de morte para as mais de 2.500 famílias alagoanas envolvidas nos conflitos agrários no Estado. Na última sexta-feira (10), quatro dos movimentos que representam 420 famílias de camponeses sem-terra que vivem em uma das áreas mais tensas do Estado ? no complexo de terras que pertenciam à Usina Utinga Leão ?, se reuniram para a definição de medidas sigilosas de segurança, enquanto aguardam a intervenção do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O encontro é consequência do assassinato de Elias Francisco Santos da Silva, 31 anos, na tarde da última quarta-feira, em um dos mais de 15 acampamentos do chamado complexo Utinga. Coordenador regional da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), Elias recebeu tiros no rosto, dentro do barraco em que vivia com a família, no Acampamento Lajeiro, na Fazenda Riachão, em Messias. Depois de executarem friamente a liderança local, os homens que chegaram em motos, armados, encapuzados e vestidos com colete expulsaram trabalhadores e fizeram a Polícia Militar recuar, diante de uma chuva de balas. Presente no Estado desde 2008, Liga se expandiu rápido Na edição de 20 de abril de 2008, a Sucursal Costa Dourada da Gazeta mostrou com exclusividade o início da atuação da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) em Alagoas. A reportagem percorreu o interior do Estado e revelou onde ficavam os acampamentos levantados em Capela, União dos Palmares, Chã Preta e São José da Laje. Era apenas o início. Hoje, o grupo se expandiu a outras regiões, a exemplo do Norte do Estado, onde mantém acampamentos em Matriz de Camaragibe, Porto Calvo, Porto de Pedras e Jacuípe. Neste, os sem-terra por pouco não entraram em confronto com seguranças na Fazenda São Francisco, em julho. Conflitos também foram registrados na Fazenda Cantagalo, em Matriz. Em 2008, a LCP era apontada como uma organização radical de extrema esquerda, que adotara a luta armada para chegar ao poder, acusada de cometer 25 mortes no Norte do País.