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Estado � desafio para Dilma na erradica��o da pobreza

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?A luta mais obstinada de meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos?. Em seu discurso de posse, no sábado, 1º de janeiro de 2011, a presidente Dilma Rousseff deixou claro que o combate à miséria será prioridade em sua gestão. Em quatro anos, ela quer transformar o Brasil num ?país de classe média sólida e empreendedora?. Para isso, os olhos presidenciais terão de focar de forma diferenciada o Estado de Alagoas. É aqui onde, ano após ano, a maior proporção de miseráveis do Brasil pena para sobreviver. Dos 3.120.922 habitantes de Alagoas, aproximadamente a metade ? 1.515.188 ? vive com menos de meio salário mínimo por mês. São os alagoanos enquadrados abaixo da chamada linha da pobreza absoluta. Eles representam 47,7% da população. Os números são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão que alimenta o governo federal de indicadores. Os dados são os mais recentes e se referem ao ano de 2009. Alagoas também abriga a maior proporção de miseráveis do Brasil, pessoas que vivem com menos de ¼ de salário mínimo por mês. De acordo com o Ipea, 676.700 alagoanos (ou 21,3% da população) continuam abaixo da linha de extrema pobreza. Salário não garante qualidade de vida Definir o que faz uma pessoa pobre parece tarefa distante de consensos no Brasil. O mais comum entre os institutos de pesquisa é usar a renda per capita para classificar os indivíduos em categorias. As chamadas classes econômicas geralmente variam de ?A? a ?E?, divisão feita com base no salário. Mas há estudiosos que repudiam a simplicidade desta classificação, pois a complexidade que envolve a qualidade de vida vai muito além da renda. Quando a Gazeta esteve na favela Sururu de Capote, na quinta-feira passada, se deparou com a história de Cícero Soares. Este ano ele completa 70 anos de idade. Mora num casebre de blocos de concreto que ocupou quando os donos foram transferidos, há cerca de um ano e meio, para o Conjunto Cidade Sorriso, no Tabuleiro do Martins. Cícero é aposentado e mora com uma companheira, que trabalha como faxineira. Ele recebe um salário mínimo por mês. Mas vive em uma casa sem banheiro, de apenas um cômodo, sem água tratada. Estudiosos divergem sobre meta anunciada O economista Cícero Péricles e a professora do curso de Serviço Social da Ufal, Therezinha Falcão Freire, pensam diferente sobre o anúncio da presidente Dilma Rousseff de erradicar a pobreza extrema no Brasil em seu governo. Ele acredita no cumprimento da meta. Ela acha impossível. O economista cita os avanços já alcançados nos dois mandatos do ex-presidente Lula para sustentar o otimismo. A assistente social freia a empolgação, dizendo que em qualquer sociedade capitalista, haverá os excluídos, sem poder de compra. ?A Dilma pode sim, erradicar a pobreza extrema ou, pelo menos, trazer seus indicadores para níveis residuais?, afirma Péricles. ?Os números do Ipea, para o ano 2009, apontam que a população que vive abaixo da linha da pobreza em Alagoas caiu de 60,45% em 2005 para 47,70 em 2009. Mas o interessante é que os extremamente pobres, ou indigentes, caíram de 30,85% para 21,30%?, cita o economista. Redução requer empenho Um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em julho de 2010, mostra que a erradicação da pobreza extrema do Brasil pode virar realidade até 2016. Mas, para que isso aconteça de fato, os Estados teriam de manter reduções anuais sucessivas das suas taxas de miséria e de pobreza absoluta. Alagoas seria a unidade da federação que mais precisaria se empenhar. ?O Estado de Alagoas precisará, por exemplo, diminuir anualmente quatro pontos percentuais a taxa de pobreza extrema para que tenha superada a condição de miséria em 2016, enquanto que Santa Catarina, com queda de apenas 0,9 pontos percentuais anuais, pode atingir esta situação no mesmo período?, diz um trecho do relatório elaborado pelo Ipea.

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