Política
Comiss�o da Verdade divide opini�o
Ex-guerrilheira nos tempos da ditadura militar, a presidente Dilma Rousseff iniciou sua gestão vendo ?bombas? remanescentes daqueles anos estourarem entre seus ministros. Da ?era? Lula, além da credibilidade do ex-operário, a petista ?herdou? a expectativa pela criação da polêmica Comissão Nacional da Verdade. O projeto, que nasceu provocando crise no governo passado, está na Câmara dos Deputados desde o dia 12 de maio de 2010, sem previsão para ser votado. De autoria do governo federal, discuti-lo é sempre motivo de embates, até mesmo entre presidenciáveis. É como cutucar uma ferida há muito tempo ignorada, quase esquecida, mas que para muita gente ainda arde, parece não haver cura. Se aprovada, a Comissão Nacional da Verdade terá como objetivo desvendar os crimes cometidos por militares nos chamados ?anos de chumbo?. Em plena democracia, defensores dos direitos humanos e oficiais das Forças Armadas voltam a se enfrentar. Na posse da ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, no dia 3 de janeiro, o assunto veio à tona nos discursos oficiais. Pedagoga formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e reeleita deputada federal pela terceira vez, Rosário não perdeu tempo. Projeto gera divergências internas No governo Lula, a ideia do Brasil ter uma Comissão da Verdade investigando os crimes cometidos por militares durante a ditadura não agradou seus aliados. Os primeiros a divergir foram os ministro da Defesa, Nelson Jobim, contra; e o dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, a favor. A pressão das Forças Armadas intensificou a crise. Ano eleitoral, o projeto mal tramitou na Câmara dos Deputados em 2010. No dia 3 de janeiro deste ano, a polêmica reapareceu. Jobim continua no cargo, mas com discurso apaziguador até agora. Já a Secretaria dos Direitos Humanos está nas mãos da ministra Maria do Rosário, que já cobrou a aprovação da comissão. Nos primeiros dias do governo Dilma, outro personagem presidencial já mostrou que pode trazer problemas para o sucesso do projeto. Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, José Elito Carvalho Siqueira mantém vivo na nova gestão petista o discurso contra a Comissão Nacional da Verdade. Elito chegou a dizer que o Brasil não tem porque se envergonhar dos seus desaparecidos políticos. ?Os desaparecidos são história da nação, que nós não temos que nos envergonhar ou nos vangloriar?, disse ele, que é general do Exército e em 1993 comandou a Polícia Militar de Alagoas, entre julho e novembro, como interventor do governo federal na segurança pública do Estado.