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Política

Atividades marcadas por muita agita��o

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Meio século de história. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) comemora este mês seus 50 anos de existência. Nascida nos ?anos rebeldes?, data de 25 de janeiro de 1961 a lei de sua criação, assinada na recém-construída Brasília pelo presidente Juscelino Kubitschek. São cinco décadas de atividades que começaram já em meio à agitação. Com três anos de idade, a Ufal viu o Brasil ser entregue à ditadura militar. Ainda espalhados em cursos no Centro e Campus Tamandaré, no Pontal da Barra, onde hoje fica o Detran, os primeiros universitários de Alagoas semearam uma sequência de reações em prol da liberdade. Quando a repressão começou a incomodar, a Ufal apenas engatinhava, mas já confirmava a sua vocação de gerar líderes políticos. Muitos deles até hoje na ativa. Aldo Rebelo, Renan Calheiros, Judson Cabral, Ronaldo Lessa, Thomaz Beltrão, Eduardo Bomfim são alguns nomes que ainda nem imaginavam iniciar carreira política na Ufal quando o professor Radjalma Cavalcante já fazia barulho nos espaços acadêmicos. Depois do golpe militar, ele foi o primeiro presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Em 1966, estudante de Economia, hoje ele coleciona episódios dos ?anos de chumbo?. Não seguiu carreira partidária, mas ajudou a fomentar o terreno fértil da inquietação. Otimismo político movia classe estudantil Eduardo Bomfim, ex-secretário de Cultura, ex-deputado estadual e ex-deputado federal, também fez política na Ufal. Sua geração é a dos anos 70. Antes, ele já militava no movimento estudantil secundarista. De 1971 a 1972, no Campus Tamandaré, dirigiu o Centro Acadêmico de Direito. Logo depois, foi eleito secretário-geral do DCE, na gestão do jornalista Dênis Agra. ?Naquela época, poucas pessoas não eram idealistas. A grande maioria era politizada e participante. Todo mundo era movido por um otimismo político. Até para se enturmar tinha que saber de política?, recorda o ex-parlamentar, que se formou em 1975. Ele conta que depois da edição do AI-5, a União Nacional dos Estudantes (UNE) foi extinta pelos militares. ?A ditadura acabou com todas as entidades?. Os DCEs e os Centros Acadêmicos só eram permitidos porque cotidianamente eram vigiados. Estudante de Direito, Eduardo Bomfim também militava no PCdoB, partido clandestino na época. ?Eu ainda lembro do José Thomaz Nonô [atual vice-governador] no movimento estudantil da Ufal. Ele fazia o 5º ano quando entrei no curso?, comenta, antes de narrar um episódio envolvendo o Porto de Maceió. Havia americanos à vista. Era preciso reagir e protestar. Alagoas foi centro de resistência na reconquista da UNE Como em todo o Brasil, nas salas de aula da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), os professores restringiam o debate aos assuntos meramente acadêmicos. Discutir política era pecado mortal. O deputado estadual Judson Cabral conta que vivenciou esta realidade. ?A nossa liberdade era vigiada. Ninguém falava de política nas aulas. Os professores se limitavam às disciplinas?. Ele entrou na Ufal em 1973, após uma série de prisões que ocorreu em Alagoas e que interrompeu o crescimento do movimento estudantil na universidade. ?O DCE havia sido fechado na intervenção que ocorreu entre 1973 e 1974, que culminou com uma série de prisões. Éramos vigiados por um departamento criado dentro da Ufal e também pelo SNI [Serviço Nacional de Informação]. Tudo que iríamos fazer tinha que ser submetido aos militares?, contou Judson, lembrando de uma festa de São João que precisou ser previamente vistoriada para ocorrer. ?A festa estava programada para o Clube Fênix. Ela aconteceu, mas antes, tivemos que apresentar toda a programação. Nas formaturas, por exemplo, os discursos tinham que ser autorizados?. Lideranças lembram greves e o cenário pós-ditadura As grandes greves da Ufal só vieram a ocorrer no final dos anos 1970. O ex-vereador por Maceió Thomaz Beltrão, atual secretário municipal de Educação, lembra bem delas. Aluno de Engenharia Civil, ele foi presidente do DCE entre 1980 e 1981 e diretor da UNE em 1982 e 1983. ?A primeira grande greve da Ufal foi de Arquitetura, em 1978 ou 1979, por qualidade de ensino e democracia no curso. Depois veio a greve de Engenharia, por uma série de problemas de estrutura, além de reprovações em massa em uma das disciplinas?, relata Beltrão. Ele explica que com o surgimento da Adufal, em 1983, o movimento estudantil se fortaleceu ao lado dos docentes e demais servidores da Ufal. ?Foi nesta época que ocorreram grandes passeatas no Centro. Em 1980 ou 1981 aconteceu a primeira greve unificada. Aos poucos as greves foram entrando no calendário acadêmico?, afirma Thomaz Beltrão, dizendo que o hoje deputado federal Aldo Rebelo foi o grande articulador da retomada do movimento estudantil, no final dos anos 1970.

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