Política
Chico Ten�rio fica em Casa de Cust�dia
Escoltado pela Polícia Federal, às 14 horas de ontem, chegou a Maceió o ex-deputado federal Francisco Tenório (PMN). Ele foi preso na véspera, quarta-feira à noite, em sua casa, em Brasília, acusado de participação no assassinato do cabo José Gonçalves da Silva Filho, mais conhecido como cabo Gonçalves, morto com 42 tiros em maio de 1996. A Superintendência da PF de Alagoas mobilizou quatro viaturas para deslocar Francisco Tenório do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares até o Instituto Médico Legal (IML), onde ele foi submetido a exame de corpo de delito. Logo depois, os policiais federais conduziram o ex-deputado para a Casa de Custódia da Polícia Civil, espaço reservado para detenção de policiais civis. Francisco Tenório é delegado e estava afastado da função desde que foi eleito deputado estadual, em 1994, quando iniciou carreira partidária. Nas últimas eleições, não conseguiu ser reeleito deputado federal pelo PMN, perdendo o benefício do foro privilegiado, que o impedia de ser investigado pela Justiça estadual. Crime envolve outros parlamentares | KELMENN FREITAS - Repórter As investigações do assassinato do cabo Gonçalves podem resultar em novas prisões nos próximos dias. Isso porque além do ex-deputado federal Francisco Tenório, também são citados no processo o deputado estadual Antonio Albuquerque (PTdoB) e o deputado eleito João Beltrão (PRTB). Apesar de eleito nas eleições passadas, o caso de João Beltrão se assemelha ao de Francisco Tenório juridicamente. Quem explica é o procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares Mendes. ?Ele pode ter sido eleito, mas não é deputado agora. Não houve a diplomação e nem a posse dele?. Com isso, João Beltrão é considerado réu comum e não tem foro por prerrogativa de função. Já o deputado estadual Antonio Albuquerque, vice-presidente da Assembleia Legislativa, está numa situação mais ?confortável?, blindado pelo Estatuto do Parlamentar ? ele só pode ser preso com a autorização da ALE. Os nomes dos dois ? e mais o de Francisco Tenório ? foram envolvidos no assassinato do cabo Gonçalves após um depoimento do ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante. Cabo foi executado com 42 tiros O assassinato do cabo Gonçalves, em maio de 1996, foi um dos crimes de mando mais truculentos registrados na área urbana de Maceió, assim como a execução do fiscal de tributos Silvio Vianna. Os pistoleiros não pouparam munição para matar o integrante da PM: ele foi executado com 42 disparos em um posto de gasolina na Via Expressa. José Gonçalves da Silva Filho, o cabo Gonçalves, havia acabado de parar o carro no local para abastecer. Ele não teve tempo sequer de tirar a chave da ignição do veículo: 12 homens armados, em três carros, cercaram o Opala dirigido pelo cabo reformado e abriram fogo contra ele. A ação foi tão truculenta que foram encontradas marcas de tiros no teto, no capô do carro e até do lado do passageiro do Opala, onde sequer havia alguém sentado. A carreira do cabo Gonçalves no mundo do crime tem relatos dignos de roteiro de filme. Ela também revela o perfil ardiloso do pistoleiro, com atuação além das divisas de Alagoas.