Política
Reforma pol�tica volta ao centro de debates
Desde a década de 90, o Congresso Nacional discute a urgência de aprovar uma ampla reforma política no Brasil. Nenhum parlamentar nega a necessidade de rever as regras que disciplinam as eleições. Mas até agora, pouco foi feito. As isoladas mudanças contaram mais com a interferência da Justiça Eleitoral do que com o empenho dos legisladores. Apesar disso, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), iniciou mais um mandato este ano elegendo a reforma política como a grande prioridade da sua última gestão na presidência da Casa, conforme anunciou dia 2, na posse. Na quinta-feira, 10, uma comissão especial foi formada no Senado para agilizar a votação da reforma. Sarney nomeou políticos experientes para a tarefa, a exemplo dos ex-presidentes da República, Itamar Franco (PPS) e Fernando Collor (PTB). Presidida por Francisco Dornelles (PP), a comissão tem também a diversidade partidária garantida. Governistas e oposicionistas estão representados. Aécio Neves (PSDB), Luiz Henrique (PMDB), Wellington Dias (PT), Jorge Viana (PT), Demóstenes Torres (DEM), Pedro Taques (PDT), Antonio Carlos Valadares (PSB) e Eduardo Braga (PMDB) fecham o grupo. Partidos reagem a restrições No Brasil, 27 partidos são oficiais. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o registro mais antigo, de junho de 1981, é do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor do MDB, criado na ditadura, como oposição à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), dos militares. MDB e ARENA eram os únicos partidos legalizados nos ?anos de chumbo?. Depois do PMDB, em novembro de 1981, foi registrado o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). O mais recente é o Partido da República (PR), reconhecido em 2006. Outros, como o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), são bem mais antigos. O PCdoB, por exemplo, foi criado em 1922, se tornou clandestino na ditadura, e desde 1988, já legalizado, disputa as eleições. A história é tão vasta quanto a ?sopa de letrinhas? que indica as agremiações partidárias. Há quem veja com desconfiança tantos partidos em ação. Mas ninguém discorda que a diversidade garantida pela democracia deve ser preservada. Na reforma política em trâmite no Congresso Nacional, dispositivos para enxugar o número de partidos no Brasil devem render polêmica. Mas enquanto as regras não mudam, novos partidos estão em formação no País. Segundo o TSE, oito estão buscando as cerca de 500 mil assinaturas ? correspondentes a 0,5% do eleitorado da Câmara Federal em pelos menos nove estados, que representam 1/3 das Unidades da Federação. Se o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), levar em frente o projeto de uma nova sigla, não será o único. Eleitores são contra o voto obrigatório Nas ruas, o povo mal lembra em quem votou na eleição passada. Perguntar quais são os partidos políticos dos candidatos é o mesmo que falar grego. A maioria disse que partido só serve para confundir os eleitores. Mas para uma questão, a resposta estava na ponta da língua. O que os eleitores de Alagoas acham que deveria mudar nas regras eleitorais? O voto obrigatório. Para a maioria dos entrevistados, a obrigatoriedade só dá trabalho e vai de encontro à democracia. O vendedor de lanche Nelson da Silva, 52 anos, acha que o voto deveria ser facultativo. ?Votava quem quisesse, até para não votar errado. É muita responsabilidade. Acho que se o voto fosse livre ia diminuir a compra de voto?, disse ele, que não tem certeza em quem votou para governador. Para presidente, ele respondeu rápido, mas para os cargos de deputado e senador não quis nem arriscar. ?Eu levei o papelzinho, por isso não decorei?. ?É complicado esse negócio de política? Com um cartaz com propaganda de empréstimo pendurado no corpo, o estudante Moebson Cosme Cabral de Jesus, 18, enquanto distribuía panfletos no Centro, disse que votou pela primeira vez na eleição passada. Ele só não conseguiu lembrar em quem votou para deputado estadual. Sem querer fazer feio na resposta seguinte, preferiu atirar no escuro. Questionado se sabia o partido do governador Teotonio Vilela, Moebson passou longe. ?Parece que é PT, né??. Ao perceber a cara desolada da repórter, chutou outra vez: ?PTB??. Ele confessou que quando assistia ao guia eleitoral na TV não prestava atenção nos partidos. ?Decorava só o nome dos candidatos e copiava o número?, explicou Moebson, contando que gostou da experiência de ser eleitor. Para ele, só uma coisa precisa mudar. ?É pouca urna para muita gente. Tem que ter mais?.