Política
Alagoanos aderem �s redes sociais
Quinta-feira passada, início da noite, no calor dos acontecimentos, o anúncio veio do próprio secretário de Defesa Social, coronel Dário Cesar. ?O modelo Frederico Safadi, suspeito da morte de Flavius Lessa, está preso!?. A frase foi publicada no Twitter praticamente no mesmo instante em que as agências de notícias começavam as apurações. Poucos anos atrás, seria impensável receber comunicados oficiais de gestores públicos via internet na velocidade em que se vê hoje. Com a explosão das redes sociais no Brasil, atores políticos já não desprezam tanto ?o mundo virtual?. Em Alagoas, deputados federais e estaduais, vereadores, representantes de classe, promotores de Justiça e até o governador perceberam que pode ser compensador ?trocar ideias? com populares na web. No rastro do sucesso da campanha vitoriosa do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que em 2008 conquistou principalmente os eleitores jovens explorando as possibilidades interativas da internet, políticos de todo Brasil, nas eleições do ano passado, se fizeram presentes também nos palanques eletrônicos. Alguns não largaram mais a ferramenta e até hoje alimentam suas páginas nas redes sociais com notícias de seus governos. É o caso do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que em dezembro de 2010 revelou seu secretariado primeiro no Twitter. Outros, após a garantia do cargo, abandonaram o diálogo virtual com os eleitores. A presidente Dilma Rousseff e o senador alagoano Benedito de Lira (PP) são dois exemplos, entre tantos. Especialistas avaliam politização Para avaliar possíveis mudanças na dinâmica da política brasileira a partir das redes sociais, a Gazeta conversou com dois professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Professora da pós-graduação em Sociologia, Paula Stroh traduz a presença dos políticos na internet como ?finalidade propagandística?, ainda sem maturidade para consolidar debates substanciais com o eleitorado. Já o professor do curso de Comunicação Social, Sivaldo Pereira, reconhece que o processo de politização das redes sociais é complexo e exige empenho tanto dos políticos como da sociedade em geral. Veja o que diz cada um sobre o assunto. ### PAULA STROH Formadores de opinião ?É preciso distinguir pessoas públicas, genericamente chamadas de formadores de opinião, dos eleitos. Nas redes sociais dos primeiros, há o fomento do debate de ideias, ainda que seja preciso conhecer melhor o grau de profundidade delas, se há ou não o predomínio do senso comum. De toda maneira, as redes sociais, desta fatia da população, movimentam algum debate e cumprem um papel importante na formação da consciência social?. Interesse propagandístico ?Os eleitos usam as redes sociais diferente dos formadores de opinião. Poderíamos pensar na possibilidade de os novos meios virtuais estimularem debates sociais, caso estivesse em curso uma mudança nas concepções com que os políticos se relacionam com a sociedade. Infelizmente, até onde eu sei, os novos meios têm sido utilizados por esses muito mais com finalidades propagandísticas do que como estimuladores de debate?. Qualidade da navegação ?Sabemos que o Brasil está entre os primeiros países na utilização da internet. É o que nos mostram mapas mundiais elaborados por pesquisadores nesse campo de conhecimento. Mas está claro que é muito mais comum acompanhar redes de celebridades e outras superficialidades do gênero. A busca da qualidade da navegação virtual vem a ser, hoje, função da educação?. PAULA STROH Graduada em História e em Ciências Sociais pela USP, é mestre em Ciências Sociais e doutora em Sociologia, com doutorado sanduíche concluído em Paris, na França. ### SIVALDO PEREIRA Os três pilares ?O uso de mídias sociais não é algo automático e nem simples. Por parte do político, requer disposição de aproximação com o cidadão na internet. Por parte do cidadão comum, é preciso cultura política, engajamento cívico e acompanhamento das ações dos governantes. Há ainda o problema da apropriação das novas tecnologias pelo cidadão. Em Alagoas, nenhum desses três pilares está desenvolvido?. Eleições ?Ferramentas como o Twitter já são ambientes de debates políticos e de manifestação da opinião pública. Não à toa, na última eleição foram amplamente usadas por diversos candidatos, inclusive presidenciáveis. Aliás, fez diferença em casos como o do então candidato Plínio Arruda Sampaio (PSOL) que, no Twitter, seus comentários repercutiram, forçando emissoras de TV a convidá-lo para debates?. Função política ?A internet é um ambiente de comunicação que possui várias funções e não apenas funções políticas. Então precisamos saber ponderar que o uso político da rede é uma de suas faces e não a única?. SIVALDO PEREIRA Professor de Comunicação Social da Ufal. É doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, com estágio doutoral na Universidade de Washington (EUA).