Política
Elei��o o tempo todo
Não tem jeito. É como preparativo de escola de samba. Encerrada uma eleição no Brasil, a articulação para a próxima começa imediatamente, mesmo que no campo da especulação. Divulgado o resultado em outubro, no início do ano seguinte são empossados os vencedores e, mandatos à parte, inicia-se mais uma contagem regressiva. De dois em dois anos desde 1992, a disputa pelo voto brasileiro instalou no País o eterno clima pré-eleitoral. Há quem ache salutar tanta votação popular, numa nação que já sofreu com severas restrições políticas. E há quem pense diferente: eleição o tempo todo é desgastante e contraproducente. Faz político com mandato ?esquecer? do compromisso para embarcar no ?sonho? do posto mais alto. Em Alagoas, como no resto do Brasil, enquanto as regras não mudam, a maquinação do futuro político indica até nomes de ?candidatos? para 2012. UM POUCO DE HISTÓRIA No Império, as eleições no Brasil eram indiretas. Na República, algumas eleições presidenciais e estaduais foram indiretas, com o Congresso Nacional servindo de Colégio Eleitoral (1891, 1933, 1964, 1966). A partir daí, um Colégio Eleitoral formado a partir do Congresso Nacional elegeu os representantes federais e estaduais, até a eleição de Tancredo Neves, em 1985. De 1966 até 1982, as eleições para governador também foram indiretas. As estâncias hidrominerais (áreas protegidas pelo Estado), municípios em área de segurança nacional e capitais voltaram a ter eleições diretas a partir de 1985. E desde 1988 até hoje, elas são realizadas de 4 em 4 anos. A partir de 1950 se utiliza uma cédula única, para marcar ou escrever o nome ou número dos candidatos, depositadas em urnas manuais, confeccionadas com lona. Desde 1996, vem sendo implantado o voto eletrônico. Nas eleições de 2008, ele foi utilizado em todo o País. As eleições federais (presidente, senadores e deputados federais) atualmente coincidem com as eleições estaduais (governadores e deputados estaduais). Desde 1992, as eleições municipais são sempre realizadas dois anos após as eleições federais e estaduais, para a escolha dos prefeitos e vereadores. MUDANÇAS À VISTA No início de março, a Câmara dos Deputados instalou a Comissão Especial da Reforma Política. Formada por 41 membros titulares e 41 suplentes, ela será presidida pelo deputado federal Almeida Lima (PMDB-SE) e relatada por Henrique Fontana (PT-RS). O colegiado terá 180 dias para avaliar todas as propostas da reforma política e apresentar um relatório. Composta por 15 senadores, a Comissão Especial da Reforma Política do Senado foi criada uma semana antes, com o senador Francisco Dornelles (PP/RJ) na presidência. Entre tantas propostas, no último dia 17, a comissão do Senado aprovou o fim da reeleição e um mandato de cinco anos para presidente, governador e prefeito. A nova regra valeria para os eleitos a partir de 2014. A proposta ainda será votada em plenário, por todos os senadores. E para entrar em vigor, também precisará da aprovação da Câmara. A comissão do Senado também já aprovou a mudança do dia da posse de governadores e presidente da República, marcado sempre para o dia 1º de janeiro. A posse do presidente passaria para o dia 15 de janeiro e dos governadores, para o dia 10 do mesmo mês. Outra proposta em debate permite a coincidência de todos os mandatos eletivos e a unificação das eleições. A votação para todos os cargos se daria num mesmo dia, ampliando o intervalo de uma eleição para outra. Sucessão movimenta bastidores O discurso parece até ser ensaiado. ?Candidatura só se discute em ano eleitoral?. Mas ninguém deixa de sondar as possibilidades. Com seus nomes lançados informalmente nos corredores da política como apostas para suceder o prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), os deputados federais Rui Palmeira (PSDB) e Givaldo Carimbão (PSB), além do vereador da capital Galba Novaes (PRB), se dizem lisonjeados com a ?lembrança? e expressam o desejo de comandar o Executivo municipal, ressaltando seus ?potenciais? nas urnas. O deputado Rui Palmeira, recém-eleito, diz que este ano será de muita especulação e nega já ter iniciado qualquer conversa com seu partido ou aliados sobre 2012. ?Este debate só será iniciado mesmo depois do carnaval do ano que vem. Agora estou disposto a dar o melhor de mim na Câmara dos Deputados?, afirma ele, que confirma estar planejando saltos maiores na carreira.