Política
Governo se fortalece na Assembleia
A definição das duas mais importantes comissões da Assembleia Legislativa dá o tom do quanto o governo está fortalecido na Casa. Se já era, ficou ainda mais. A hegemonia governista é fator indiscutível no parlamento e deve ser ampliada, com as novas definições das presidências das comissões permanentes. Nunca o governador Teotonio Vilela (PSDB) esteve tão tranquilo em relação a sua base de sustentação na Casa. Sabe que facilmente os projetos de interesse do Executivo passarão pelo Legislativo sem muita dificuldade. Ou quase nenhuma. Um exemplo claro desse domínio já foi dado lá atrás, quando o governo, mesmo jurando não ter interferido na eleição da Mesa Diretora, fez simplesmente o presidente da Assembleia, deputado Fernando Toledo, o primeiro secretário, Inácio Loiola, ambos do PSDB, além do vice-presidente, Antônio Albuquerque (PTdoB), que apesar de não compor o ninho tucano, faz parte da base aliada do governo, que hoje só não conta declaradamente com o voto de quatro deputados. Os demais podem até terem lá suas críticas ao governo de Vilela, mas na hora de votar, acabam dizendo sim para o que ele quer. Sem espaço, oposição se limita a críticas Nem mesmo quem está do lado contrário ao governo, tem dúvida do quanto a articulação funcionou para dar ao Executivo maioria mais do que folgada na Assembleia. Sem espaço, à oposição cabe criticar. Assim têm sido os dias na Casa mais polêmica do Estado. A cada sessão, um dos parlamentares que ainda se mantêm do lado contrário do chefe do Executivo, se rebela. Assume o discurso de contestação e pega um tema como ?gancho? para tentar abalar o que é quase inabalável. Para se ter ideia, somente na Mesa Diretora, dos dez integrantes, dez estão com o governo. Embora Sérgio Toledo e Jota Cavalcante, ambos do PDT, tenham feito oposição à releição de Vilela, votam nos projetos governistas. Quem está do outro lado, o da oposição, tem consciência de que vence quem tem maioria, mas tenta ainda assim superar esse quadro de domínio quase inabalável. Um dos oposicionistas declarados não só ao governo, bem como a algumas situaçãoes como o comando da ALE tem conduzido a Casa, o deputado Olavo Calheiros (PMDB) sabe, por exemplo, que não só a partir da formação da Mesa Diretora, mas da própria composição das comissões o governo será beneficiado. Governo nega ingerência política Se deputados estão certos do domínio e ingerência do governo no processo eleitoral na Assembleia, o governo está certo do contrário. Não participou, não pediu e não interveio. É o que diz o secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado, que resume da seguinte forma o resultado de escolha dos presidentes de comissões, principalmente as mais importantes, como a CCJ. ?Isso é mais pela qualificação pessoal de cada parlamentar do que por uma definição partidária. Muitos partidos estiveram na base do governo, só que nessa eleição o PSDB fez um número expressivo de deputados e todos eles bem qualificados, com experiência na atividade política, por isso seus nomes estão se sobressaindo?, afirmou o secretário. E não é só o fato de serem todos do PSDB, diz ele, que por si só fortalece o processo do governo. ?A situação é fortalecida em primeiro lugar pela forma como a gente estabeleceu essa relação com o Poder Legislativo, com transparência, de forma bem franca, responsável e democrática e também a qualificação dos parlamentares do PSDB facilitou que eles ocupassem esse espaço nessas comissões?, ressaltou.