Política
Deputados investem em consultoria
Brasília, DF ? Com a limitação do uso da verba indenizatória para pagamento de combustível em R$ 4,5 mil por mês, grande parte dos parlamentares agora usa a rubrica ?consultoria? para justificar o grosso dos gastos com o mandato e receber os recursos do chamado ?cotão?. Em muitas situações, o serviço de consultoria é pago a advogados dos parlamentares. Um caso emblemático e curioso é o do deputado Davi Alves Silva Júnior (PR-MA), suplente do ministro do Turismo, Pedro Novais, que apresentou no mês de março uma nota de R$ 40 mil pela consultoria do escritório de advocacia Raul Canal Associados. Davizinho, como é conhecido, está no segundo mandato, mas não foi reeleito ano passado. Tomou posse, como suplente, no lugar de Novais. Ele não quis explicar o gasto, mas o advogado Raul Canal, por meio da assessoria, informa que elabora projetos e pareceres para o deputado, que gastou em março mais R$ 10 mil com locação de veículos e totalizou uma despesa de R$ 51.554,40, ultrapassando o teto mensal da bancada do Maranhão, que é de R$ 31.637,78. Performance não justifica gastos Herdeiro político do ex-deputado Davi Alves Silva, assassinado na década de 90, Davi Alves Junior, em seu primeiro mandato, tem no histórico 29 proposições, mas nenhum projeto aprovado. Pode ser que a contratação da equipe da Raul Canal Advogados Associados Ltda melhore sua performance parlamentar e evite erros grosseiros de redação. Na peça orçamentária de 2011, Davi Alves Júnior irritou os eleitores maranhenses, nem tanto pelo erro de ortografia, mas pela prioridade na escolha de suas emendas. Ao invés de escolher uma cidade do Maranhão, ele destinou R$ 300 mil para o incentivo da arte, cultura e turismo no Distrito Federal. E ainda escorregou no português ao propor sua emenda: escreveu ?insentivo?, e não incentivo.