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Ex-secret�rio aponta falhas na seguran�a p�blica de AL

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José de Azevedo Amaral, um aposentado de semblante frágil e cabelos totalmente grisalhos, com 83 anos de idade, tem todas as prerrogativas para passar despercebido por muitos lugares em Alagoas, não fosse um só detalhe: a forma como é mais conhecido pelas pessoas na rua. O temido coronel Amaral é titular de uma biografia polêmica e com larga história na área de segurança pública de Alagoas. Com o lema ?bandido bom é bandido morto?, ele ajudou a escrever boa parte da história recente do Estado, nos anos de 1980 e 1990, quando foi secretário de Segurança Pública por duas vezes durante os governos de Divaldo Suruagy e Guilherme Palmeira. Mas também despertou a ira daqueles que lidam com os Direitos Humanos. Hoje, a rotina de perseguir bandidos foi substituída por horas livres de leitura na varanda do apartamento em que ele mora, na beira-mar de Pajuçara. E foi lá que ele recebeu a Gazeta para falar um pouco sobre a área que mais o destacou na carreira pública. *** Gazeta ? O senhor já foi secretário de Segurança Pública do Estado por duas vezes. Que falhas o senhor aponta hoje nessa área em comparação a época que esteve à frente do cargo? Coronel Amaral ? Eu acho que a falha fundamental é não investir em recursos humanos. Fazer um bom curso de aperfeiçoamento para o militar, ou seja, não é possível que o militar sofra as consequências que vem sofrendo sem receber remuneração quase nenhuma. Mas não culpo o governo. Eu culpo o estado de coisas em que se encontra o Estado. O Estado não tem condições talvez de pagar uma boa remuneração. Mas eu acho que se devia fazer um esforço sobre-humano pra se investir em recursos humanos. Em que condições o senhor trabalhava na época em que foi secretário, no início dos anos 80? Eu fazia o seguinte: eu tinha carta branca do governador, ou do contrário eu não permanecia. Eu só trabalho numa função dessa se for com carta branca. E tendo carta branca, o que era que eu fazia? Eu procurava investir bastante, intensamente em recursos humanos. Pagar bem ao policial daquela época. Alagoas era o segundo Estado do país que pagava melhor. E, quando necessário, também dava assistência jurídica aos policiais quando eles precisavam. Quando havia um problema eu não me furtava em gastar dinheiro da Secretaria de Segurança para a defesa deles com bons advogados. O que o senhor acha das chamadas UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora? Aquilo ali redunda sempre numa coisa: gastar mais dinheiro, mas também ajuda a trazer a sociedade para o meio da polícia, para que trabalhem em comum acordo. O senhor ainda defende a tese de que ?bandido bom é bandido morto?? Cem por cento. Eu acredito piamente e acho que se você faz um esforço tremendo para ter a sua família organizada, estruturada, não dá pra admitir que um marginal pegue esse esforço seu e simplesmente jogue no ar. Então, marginal, tudo bem se você errou. A gente diz: ?olha aqui, você errou. Você não vai mais errar?. Tem que perguntar pra ele: ?você precisa de quanto pra deixar o Estado? Tome aqui o dinheiro e não venha mais. Se vier e cometer qualquer estupidez saiba que vai sofrer.? QUEM É Nome: José de Azevedo Amaral, mais conhecido como ?coronel Amaral? Idade: 83 anos Cargo: ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, hoje está aposentado pelo Exército Hobbies: caminhada na orla e ler

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