Política
MP investiga liga��o de Serra com empres�rios
Brasília ? O procurador Luiz Francisco de Souza, do Distrito Federal, disse que a ação que abrirá contra Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado se estenderá a outras quatro pessoas. São elas o ex-presidente do Banco do Brasil Paulo César Ximenes, o ex-diretor de crédito do BB Edson Soares, Ronaldo de Souza, sócio de Ricardo Sérgio, e Vladimir Rioli, sócio do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, em uma consultoria. Luiz Francisco entrará com duas ações na Justiça, uma delas penal e a outra administrativa, em que alguns dos réus serão acusados por improbidade. O procurador pretendia entrar com as ações ontem, mas adiou a decisão para hoje. Segundo ele, para ?limar? melhor os termos e documentos da ação. A ação irá investigar a privatização da Vale do Rio Doce, do Sistema Telebrás e os empréstimos conseguidos ?irregularmente? por Preciado com o Banco do Brasil. Segundo Luiz Francisco, o candidato José Serra não é réu, mas há ?provas indiciárias? contra ele. ?Quem foi beneficiado por atos impróprios também tem culpa na ação?, diz. Luiz Francisco afirmou que pedirá a quebra de sigilos bancário e fiscal de algumas das pessoas citadas na ação, mas não disse de quais. Receita Segundo o procurador, Violi foi sócio de José Serra na empresa Consultoria Econômica. ?Curiosamente, Serra esqueceu de declarar a empresa à Receita Federal na declaração de 1994?, afirmou Luiz Francisco. Em 1995, a sociedade foi desfeita. Ricardo Sérgio, além de ex-diretor do BB, também foi um dos arrecadadores de recursos para a campanha de políticos tucanos, inclusive para a de Serra. As dívidas das empresas de Marin Preciado com o Banco do Brasil somavam R$ 17 milhões, relativos ao primeiro empréstimo, concedido em 1993, e R$ 57 milhões, liberados em 1995. O empréstimo do Banespa, afirmou o procurador, foi de R$ 21 milhões para a empresa Gremafer Comercial Importadora. ?Nada foi pago ainda?, salientou. Marin Preciado conseguiu em 1998 uma redução do valor da dívida no Banco do Brasil. Ontem, a produtora da campanha de Ciro enviou por e-mail matéria veiculada no jornal ?Hora do Povo?, intitulada ?Primo de Serra e seu caixa, Ricardo Sérgio, assaltaram 74 milhões de dólares do BB?. De acordo com o texto, ?comparsas de Serra instalados no Banco do Brasil atuaram para favorecer empresas do sócio e primo caloteiro do candidato tucano, como o perdão de dívidas e a concessão de novos empréstimos que jamais foram pagos?. Candidato se diz vítima de jogada eleitoral O presidenciável José Serra (PSDB) tentou desqualificar algumas acusações levantadas contra ele no fim de semana dizendo que está sendo vítima de uma ?jogada eleitoral? que tem como objetivo abalar sua candidatura. A maior parte das críticas feitas por Serra teve como alvo o procurador da República Luiz Francisco de Souza, que estava concluindo uma ação de improbidade administrativa para dar entrada na Justiça contra pessoas ligadas ao tucano. Segundo Serra, a investigação de Luiz Francisco não pode ser levada a sério. ?Esse procurador é ligado ao PT, é militante do PT e agora está fazendo jogada eleitoral. Ele é uma pessoa parcial em seu trabalho?. Luiz Francisco investiga denúncia contra Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra, e Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do banco do Brasil que já trabalhou como arrecadador de dinheiro para várias campanhas do PSDB. Segundo o procurador, há suspeitas de que Oliveira tenha usado sua influência no Banco do Brasil realizando operações ?heterodoxas? para beneficiar Marin, que em 95 teria obtido desconto de R$ 75 milhões em sua dívidas com a instituição. Serra também foi acusado nesta semana de vender um imóvel localizado no Morumbi, bairro nobre de São Paulo, por um preço abaixo do valor de mercado para pagar menos impostos à Receita Federal. ?Sobre as declarações de imposto de renda, não há rigorosamente nada. Se isso continuar sendo divulgado, nós vamos processar. Eu me admiro que isso não seja claramente percebido?, disse o tucano. José Serra também afirmou que não irá fazer nenhum tipo de retificação nas suas declarações de IR. ?Meu imposto de renda foi aprovado e não há incorreção alguma de natureza alguma.?